A Terra solta como o ar manchava nossos pés descalços que antes entrelaçados em cadarços deixavam o ônibus em imaculado naturalismo. Poucas gramíneas, alguns arbustos, Árvores que trincavam a superfície vítrea do céu tão tão dinâmico e que de tão firmes e estóicas não deixavam vazar a etérea, a quintessencial substância que muitas respostas dariam ao que estava por vir.
O cheiro da morte envelhecida, poeirenta, suja, seca e esquecida… Sensações funestas, arrepios bem-humorados; As placas de pedra áspera irradiavam aquele pacote de incogniscências em torrentes de dezenas de milhares milhas por hora. Adentrávamos aquele cemitério esquecido, sem pavores, sem macabridades, mas andávamos com plena desconfiança em nossos próprios sentidos, nossos próprios pensamentos, nossos próprios passos que subiam e desciam morros, desgastavam barrancos de terra cor-de-vinho.
No final daquela manhã éramos os próprios cadáveres que habitavam aquele lugar. Cambaleando com sorrisos estúpidos remendados na cara, murmurando enunciações sem sentido vivo, fuçando as catacumbas dos profetos de todas as crenças humanas à procura da morte plena e, talvez, também de seus segredos; Só não tinhamos a lividez em nossos rostos porque a terra cor-de-podridão nos dava tom.
Bem me lembro que, do alto de um cipó, bem equilibrado e quase estático, um senhor de pele vermelha nos gritou com lábios cerrados… Palavras Caíram perpendiculamente sobre nossos cucurutos como agulhas. Animais de vários tipos e tamanhos escondidos em tocas cavadas sobre a terra foram coagidos a trocar de posições e um grande alarde se instaurrou.
- Os corpos dos profetas foram levados daqui!!- Foi o que nos acertou
E Foram.
Nossos Pés enlameados subiam vorazmente os degraus do ônibus; Criamos a lama em meio ao instável temperamento do mundo. Já estávamos a dezenas de milhares de quilômetros dali quando me lembrei de agradescer aos céus (Mas O Grande Céu escorria pela própria superfície sem dividir conosco suas resoluções) por não ter nos apresentado problemas na maquinaria. Não pararam. O Sinistro Cobrador, puro como giz, aconteceu no meio da estrada várias vezes, morbidamente parado como ele mesmo. Encolhemo-nos até esquecê-lo.
Chegávamos ao corpo de bombeiro a pedido de todos os senhores que queriam apagar o fogo enlameado que borrava a nossa salvação, fogo consequente de nossas impertinências. Mas meu egoísmo se elevoou como aquilo que não se conhece mas existe no interior das fumarolas. Pararam o paralelepipédico veículo que nos conduzia; Abriram as portas e me deixaram cair diagonalmente até a casa em que sempre morei, esquecida num passado não muito dinstante.
Não, definitivamente não me lembro quando caí no seio da longa rodovia periférica. Mas certamente poderia ter permanecido a eternidade inteira em órbita sobre aqueles montes de corações de galinha, chocolates prismáticos e enfileirados.
Sem rodas, fiz de meus pés meu veículo.