Arquivo para Agosto, 2008

Papoula, minha querida…

Postado em Devaneios em Agosto 24, 2008 por Gabriel Castilho Gil

(A espessura da agulha trai os olhos em dois tempos. Não, não era um problema. Nunca foi um problema mesmo antes de se tornar uma necessidade… Porca necessidade de nadar na densidade frouxa do ar.)

Retrocedência!

Por onde andaria cada momento jubiloso da vida?

“Algumas delas eram leoas temperamentais, imprevisíveis… Eram boas de vez em quando, mas sempre ininteligíveis.”

“Outras laceravam o resto de sua tranquilidade; Sempre estavam lá e não tinha outro jeito, eram de uma vez efêmeras e eternas, mas quando se tornavam mais eternas que efêmeras te estraçalhavam impiedosamente e brincavam com os frangalhos da sua alma. Você encarava a cena com angústia, deitava na sua cama e chorava… Você entrava na hidrosfera da melancolia e gritava para dentro: ‘Por que aquela porra não abrandava!? Não dava uma mera trégua de merda ?’”

“Eles são pre-potentes, insensíveis e ejaculam ego no meio da sua testa. Provam pra você o quão vadio e ébrio e vazio é, ou vai se tornar, apenas com uma descrição da noite bem vivida e prolífica em que só o umbigo esteve maior que a criatividade fútil. Ah!!!! Criatividade fútil… Antes de criar o que se cria, a projeção ridícula de dez anos depois vem à tona (Presunção)… Isso é o que imaginamos, mas eu tenho certeza de que esses merdas se enchergam 10 anos mais velhos ganhando a bosta de um prêmio por uma maldita criação que ainda nem veio ao mundo!”

“Eles domam as leoas. As boas e as más. As boas leoas na essência são iguais às más. Bom… São leoas afinal de contas. Não quero entender isso. É algo maluco, idiótico para mim e talvez pra você também. Só que eu não posso negar que eles e elas são felizes. Eles são bem humorados, eles sorriem para o céu e para a terra e a vida dá valor para eles

É por isso que:

“Eu sou o pior de todos. Eu invejo cada célula dos dois. Invejo os problemas, as glorias e derrotas e suas resoluções. Quero os dois para mim. Se pudesse seria uma fissura na terra e me abriria debaixo de seus pés. Os engoliria e me fecharia para sempre. Talvez assim os seus problemas fossem tão eternos quanto os meus.”

E entre nós e eles,

Só você é boa, Papoula, minha querida. Você me quer para você, Você me da prazer efêmero, como tudo que preciso e não me deixa ir embora, minha bela!

Você é o que eu preciso agora!

Preciso de seus mil braços explorando as cavernosas e secas profundidades do meu ser.

Preciso de você elevando ao 9º circulo celestial cada mitocôndria distraída…

Cada neurônio mecânico, robótico, boiando no instinto quadrático de receber e passar!

Deixe os carteiros lêrem a carta de amor que entregam!

Deixe meus olhos entrarem em órbita enquanto minha face fria se esfrega na parede úmida de azulejos sujos. E me deixe cair, cair, cair, cair, cair!

E quando eu estiver partido, destruído pela vida no canto daquele banheiro, mais uma vez, apenas faça do meu braço o seu leito e deite!… só mais uma vez, só mais uma…!

Metagrafia nº1

Postado em Metagrafia em Agosto 16, 2008 por Gabriel Castilho Gil

São os três passos do Jazz empregados de forma mais musical!

Imito, Assimilo e recrio com visível irresponsabilidade!

Escrever consiste em marcar as pegadas do seu ego em algum momento de sua vida. Um dia o escritor sempre retorna em nostalgia e reflexão aos caminhos que um dia trilhou… mas as pegadas são quase de um outro ser: os pés menores, menos trabalhados pelo tempo e com uma fixação meio desajeitada; Certamente um outro ego… Mas é o sentido natural do que se cria.

Com o passar do tempo tudo que criamos em algum momento vai se tornando menos nosso e mais do mundo e de outros seres humanos. O Mundo porta belezas e horrores e quer todos os dois para si, o ser humano quer apenas a beleza e se ele encherga a beleza em algo, imita e com o amadurecimento da assimilação um dia consegue criar algo: Se será bonito ou não, eu não sei. Se outras pessoas vão imitar, assimilar e recriar pela beleza, eu não sei. Mas sei que o tempo e o mundo guardam e registram tudo com carinho