E se o infinito despencar sobre mim…
O Movimento de seu corpo reboava intransigentemente à maciez dos ares que a circundavam. Sorria, de olhos fechados, rodava, rodava, rodava e ficava tonta, cambaleava… Já estava quase caindo. Sentia a cabeça escorrer vertiginosamente pelos seus ombros e soltava um gemido que alargava deliciosamente o seu sorriso.
A garota deitou-se delicadamente como se o chão exercesse um magnetismo caridoso sobre o seu corpo… Sua pele azeitonada coberta por uma tanga clara se sujara um pouco pelas muitas vezes que repetira o ato de girar e cair. E agora não parava de cair. Sua visão continuava dançando, continuava se inclinando para a diagonal. Ela ainda virava a cabeça para deixar tudo num eixo decente, mas começava a rir e tudo balançava novamente.
Uma coisa engraçada lhe ocorrera mais cedo, quando saía de casa à procura de alguma reflexão.
Seus pés descalços tocaram o chão de terra seca e fofa, polvilhada de minúsculas folhas secas e crocitantes. Vocalizava uma música que sua mãe muito cantara para ela quando pequena e que há pouco fora redescoberta enquanto vasculhava suas memórias de menina-mirim. Achava que tinha uma voz bonita, bem sonora, na exata divisão entre o poder e a delicadeza e gostava disso. Se os outros não achavam o mesmo, bem… Quem iria impedi-la de continuar cantando?
Não obstante, a resposta ameaçou chegar monocromaticamente, mesclada ao marrom quase alaranjado dos pinheiros-do-alepo que muito cobriam o lugarejo onde morava. Apoiando-se de tronco em tronco quando inevitável, pulava, cada vez com um pé, mordendo a língua numa tentativa energética de concentração para manter o seu padrão. Em uma das curvas que fez, uma árvore diferente se posicionou para apoiá-la. Imponente, talvez rígida, castanha como quase tudo por ali. Mas a árvore sorriu e um homem surpreendentemente se revelou.
- Ei menina, atrapalhei sua brincadeira, não é? – A garota empinou o nariz e continuou andando. O homem a seguiu.
- Que brincadeira? Não estava brincando coisa nenhuma.
- Ah, me desculpe, atrapalhei aquilo que você estava fazendo…
- Eu? O que eu estava fazendo?
O homem irritou-se com a indiferença que a impedia de parar para falar olhando em sua cara. Em um pulo segurou-a obstinadamente pelo braço e forçou-a com violência a olhá-lo no olho.
- Qual é o seu problema!? O que quer de mim? – Ela retribuiu a violência com a aspereza mais corrosiva que conseguiu imprimir naquelas palavras, mas nada retornou dele em reflexo. Ele penetrava em seus olhos. Os olhos dele tremiam anacronicamente com a boca que tentava murmurar algo sem som.
- O que aconteceu? – Murmurou secamente.
- Acho que dá pra ver o crepúsculo pelos seus olhos – Ela assustou-se com o tom calmo de sua voz, mas continuou carrancuda. – ou talvez a aurora…
- Me larga! – Soltou-se num tranco e retomou a caminhada com seu objetivo refulgentemente ofuscando em suas passadas largas. Mas o homem não desistiu. Correu até ficar ao seu lado.
- Vamos, me diz seu nome pelo menos! Deixe-me ter pelo menos alguma coisa de você!
- Me erra! – Continuaram em passadas comicamente bem investidas. Ela com a cara fechada em silêncio, apressada. Ele, tentando arquitetar a próxima fala. Sucederam-se longos lapsos silenciosos
- Você quer saber de uma coisa?
- Fala logo!
- Acho que não devia ter olhado nos seus olhos. – Ela olhou descrente para ele, franzida e virou o rosto rapidamente, sem paciência.
- Me poupe…
- Alguma coisa minha ficou presa dentro dos seus olhos…
- Como é?
- Seus olhos roubaram algo de mim e você trancafiou isso dentro de você…
- Mas entre as reações que ela poderia ter desempenhado a mais adversa e curiosa foi a que traumaticamente sucedeu-se. A moça parou. freou com a firmeza de uma rocha e o encarou severamente nos olhos. E ele, mais uma vez pôde olhá-la nos olhos.
O firmamento de índigo parecia um côncavo espelho embaçado. Sentiu uma sensação engraçada ao mergulhar na coisa estranha que ocupava a tal concavidade azul, talvez fizesse isso para se enxergar no real espelho que estava ali em algum lugar por trás de todo aquele vapor. A coisa, não conseguia entender se era líquida ou gasosa, mas era densa e morna… Disso ele tinha certeza. Podia respirá-la e vinha uma sensação mais esquisita ainda quando tentava tocá-la também.
Sentiu uma picada aguda na exata fronteira entre o Canadá e a América e não se sabia qual ficava ao sul do seu pulso e qual ficava ao norte. Precisava se certificar. Olhou para o pulso, com cautela. Algo estranho poderia acontecer… Sentia que algo diabólico poderia acontecer se não enchesse aquela grande bóia que sua Tia Marta trouxera de Majorca em uma excursão paga que fizera há alguns anos. Uma vez! Vira como era potente uma vez, quando o Niágara com suas protuberantes barbas e sua douta feição assentiu que fossem, os quatro, quicando nas águas coléricas de sua maior mecha. As memórias provocaram um incômodo no exato meio-caminho entre seus dois ouvidos. A queda foi a pior parte. Ele, Al Jardine, Marta Cornwall e, não sabia ao certo o grau de parentesco, mas talvez, a prima de sua tia, Marguerite Yourcenar. Por ventura, foram os quatro caindo da proteção gelatinosa da bóia. Primeiro Al enquanto cantarolava a seqüência de bemóis que acabara de se sugerir, depois Marguerite. Sua avó, sagaz como sempre fora, conseguira se prender com o pé direito em uma espinha que se projetava pra fora da fluidez de toda aquela barba. – Mas uma dor incomodativa no ouvido o fez querer encerrar a lembrança mais rapidamente. – Ao ver que era o ultimo a cair, precisava fazer alguma coisa (Dores). Lembrou-se de ter se agradecido muito por lembrar do buraco de entrada do ar da bóia. Agradeceu-se centenas de vezes. Esticara o buraco para que coubesse lá dentro.
- Entra logo!!! – Talvez alguém que tivera a mesma idéia que ele em outra ocasião… Uma voz mal humorada ecoou de lá de dentro.
O conteúdo que saia o puxou para dentro como uma emulsiva língua.
PAF! Era esse o perigo, afinal de contas. Algo o dizia, com uma voz macia, que não havia razões para perder a calma. E foi assim que conseguiu se conter bem pacífico enquanto a língua moderadamente inchada lambia circunferencialmente seu pulso. Ela dizia por entre sons suculentos:
- Hum!! Sacramento, Eugene, Delícia, delícia. Spokane! Ah! Salt Lake City… é por isso que o sabor acentuou-se. Cheyenne, Bismark… Não agüento! Não agüento essa tentação! Winnipeg, meu deus, sabores transcendendo fronteiras! Oh, St. Paul!
- É isso! – O rapaz acabou tomando por pista e suspeitando das posições de cada cidadezinha. Por acaso… Dentro da bóia percebeu que podia pedir ajuda ao seu velho professor de geografia que nadava vorazmente de um lado a outro daquela gelatina palidamente azul como se acabasse de se render a um descanso recreativo, fruto dos esforços de lacrar novamente a saída de ar da bóia.
- Winnipeg! É Winnipeg! – Falou o rapaz passivo à dominação do êxtase. – Winnipeg é canadense! Posso apostar que é! O que me diz doutor Phillips?
- Acho que precisa rever angulações! Afinal, em que sentido as cidades poderiam estar sendo enumeradas!? Mas o setor de matemática preparou uma aula especial para acabar com seus problemas! Hei! William!?
- Um homem gordinho com olhos murchos assentiu com a cabeça, que era a única coisa perfeitamente visível dentro da bolha viscosa em que residia.
Cócegas.
A língua caiu para fora do pulso levando consigo pequenas lascas das Rochosas. Do orifício que ficou, uma delicada mão-braço-cotovelo-antebraço… Emergiu viscosamente, como um bebê parido sem impedâncias. De lá foi saindo gradativamente uma bela moça de cabelos louro-prateados, sem rosto, que aproveitando as proximidades das mãos iniciou uma dança giratória com o rapaz assim que o ultimo centímetro de seu sapatinho de salto deixou o pulso.
Muito bem garoto. É simples…
Horário…
O giro que a garota deu fez o rapaz perder o equilíbrio instantaneamente. Recuperou-se e se distraiu no ato deparando-se com rochas azuladas que murchavam e inflavam por todo lugar, algumas tinhas palavras grafadas de algum modo, mas perdeu o foco depois um tempo. (Girava e girava) na retomada do foco, homenzinhos tocavam flauta e dançavam marotamente ao som seu som suave. Com medo de perder o foco novamente, apertou os olhos e viu que os homens martelavam bruscamente as pedras com a flautinha (girava e girava). Mas na próxima vez que perdeu o foco só ouviu as vozes…
(É ouro, ouro!)
(Ele vai pagar uma fortuna por isso, Stuart!)
(Caramba esse negócio não é tão quente, mas uma hora, uma hora vai derreter a porcariada!)
Por fim. Enjoado. Foi sentindo a dançarina ir diminuindo a velocidade dos giros. (parando, parando)
- Garoto, se importa se subirmos um pouco, antes de começarmos o anti-horário? O ar daqui de baixo é muito pesado. (Parou!) – Zonzo, o rapaz se achou num extenso salão forrado exageradamente de ouro, mas não conseguiu se ater a muita observação. Localizou duas das pedras que anteriormente eram azuis e enfim pôde ler a mensagem que elas diziam em letras garrafais: O que esta esperando, homem! Diga que não se importa!
- Não, madame… Nem um pouco.
E subiram na velocidade do som.
Durou pouco menos de vinte segundos, mas se a volta não durasse tanto quanto se não menos, morreria sem ar. “Um pouco acima” era fantástico. O azul celestial ia ficando mais opaco e escuro até que na borda do horizonte se cancelava no gélido preto e só!. Não havia por do sol, nem nuvens paradisíacas ali em cima, mas era tudo esplendorosamente mágico.
O rapaz já girava sem perceber quando de repente o senhor céu, brincalhão, notando a distração dos dois, usou toda a elasticidade que tinha, esticou-se como a base de um trampolim e deu um empurrão no casal giratório que mais parecia um pião sônico.
E então ela soltou os braços dele. Aquela era a hora em que tudo, estranho, porém prazeroso, talvez revelasse a sua porção de perigo. Ele ia caindo e caindo. Mas não poderia cair até o fim… Aquilo destruía sua consciência (Caía mais rápido). O fluxo com que as coisas aconteciam só contribuía para que ele confiasse numa boa sorte e…
Parou. Seus braços estavam abertos e ele acabara de quicar numa ínfima nuvem, tal como a bóia ricocheteara nas águas do niágara. Mas abrir os braços não o deixara fixo no meio do céu. O que tinha em mãos, agora, era o poder quase trivial, nas circunstâncias, de cruzar o céu como uma maleável flecha.
O ar se esfregava seco em sua pele e pela primeira vez ele sentiu que a segurança era uma sensação meramente plástica. Sentia uma pressão tão intensa e prazerosa sobre sua coluna que era como se estivesse sendo conduzida por uma grande mão que conduz um avião de papel até o momento da decolagem. Sentia-se, apesar disso, unicamente dono de suas próprias asas (Só é possível voar nos mais altos limiares do céu) e que a natureza celestial era uma servente empaticamente disposta a cumprir todos os seus desejos… Era uma escra…
- NUNCA! – Gritou a garota de pele azeitonada ficando definitivamente possessa.
- Nunca, em hipótese alguma, me compare a qualquer tipo de coisa que diga respeito à limitação. Eu, todo o meu corpo e principalmente toda a minha alma estamos contornados de liberdade e não seríamos potencialmente capazes de prender nada de ninguém em nenhuma figuração! E digo mais! Não tente se aproximar vetando os meus caminhos, me segurando e contendo de mansinho essa liberdade de que falo! Nunca mais tente isso dessa forma, paspalho!
- E saiu correndo velozmente para a saída da floresta que se encontrava pouco depois de uma clareira.
- O Rapaz caiu no chão desnorteado e lá ficou durante ininterruptas 2 horas em que se questionou incansavelmente quanto à solidez do que certamente lhe ocorrera entre a freada e a bronca.
A moça ainda gargalhava imaginando o transtorno pelo qual o rapaz devia ter passado depois que ela correu sem olhar para trás. Mas o que acontecera depois de sair correndo não se ligava diretamente a estar deitada sozinha no gramado aberto em frente à floresta, olhando para o firmamento.
Suas amigas estiveram ali com ela e elas puderam se divertir um bocado. Correram milhas uma atrás da outra, depois dançaram puerilmente enquanto cantavam versões histéricas de musicas de ninar. Por fim deitaram-se exaustas nos gramados e se puseram a estudar investigativamente os vários formatos das nuvens que aconteciam na extensão daquele magnífico céu azul-furtivo. Céu que parecia impossível depois de tantos dias de chuva. Poucos minutos atrás, todas as meninas haviam voltado pra…
Ouviu o farfalhar da grama que quase ultrapassava seu tornozelo.
Era o homem de novo. Certamente que o era. Mas desta vez seria tolerante e paciente com ele.
O homem ficara paralisado na metade do caminho que levava até ela. Para a sua surpresa, foi ela quem o chamou com o indicador, sorrindo sem mostrar os dentes pra ele.
Ficaram bons três minutos em silêncio, olhando para o horizonte que se abria completamente no panorama da grandiosa falésia sobre a qual se sentavam serenamente. Ela virou-se para ele:
- Bem, acho que fui grossa com você. Não precisava ter agido daquela forma.
- Certamente que me assustou, senhorita. – Ela sorriu timidamente. – Aquelas seis moças que estavam aqui com você são suas irmãs?
- São minhas amigas, minhas grandes melhores amigas. Mas… Sim, são minhas seis irmãzinhas mais novas.
- Posso saber seu nome agora? – Ela olhou pra ele sorrindo com um olhar pretensioso e murmurou:
- Ainda não desistiu então…
- Mas é tão simples!
- É claro que é simples, mas não é nenhum pouco importante. Nem vou perguntar o seu… Mas me diga agora: Vem da cidade?
- Ah, sim, venho e acho que não me demoro muito por aqui, infelizmente.
- Se eu te contar uma coisa promete que vai prestar bastante atenção?
- Mas é claro, implorei tanto por ouvir alguma coisa de você…
- Pois bem. Se ficasse mais um tempo aqui, conosco… Digo conosco, por que certamente teria que conhecer as sete irmãs todas reunidas. Mas enfim, você pela primeira conseguiria comer com garfo e faca a liberdade, sabia disso?
- Me atrevo a dizer que tive um contato com isso hoje…
- Não, você não teve! Não teve mesmo. A Liberdade pra você ainda está lá em cima – E apontou profeticamente para o céu – A liberdade pra você ainda é um sonho bem lúcido e nada mais do que isso!
- Acho que sonhei acordado hoje.
- É mesmo?
- Sim, pouco antes de você me dar aquela bronca.
- Ora, mas não foi uma “bronca”…
- Foi perto disso, mas… Bem, o que lhe digo é que aconteceu uma coisa muito singular comigo, quando olhei nos seus olhos… Acho que acabei de compreender o verdadeiro significado de sonhar acordado.
- Bem, você vai achar implicância, mas eu novamente acho que você se engana! Só se sonha acordado quando se está do lado de grandes amigos. Só em momentos de grande êxtase em grupos que nossa mente se torna essa mistura de aspirador de pó com processador de alimentos.
- Com o quê?! – Os dois explodiram juntos em gargalhadas.
- Hei, não ria, eu falo muito sério! Sua mente eufórica vai sugando e misturando tudo que você mostra pra ela a partir do momento que ela, como um ser individual sente que a lucidez de estar acordado também pode, em alguma circunstância, ser uma válvula de escape. São aqueles que caminham ao seu lado muito proximamente que tem o toque de ativação dessa engrenagem, pois são eles que proporcionam a segurança, te deixam à vontade para que sua alma se eleve a um patamar de transitoriedade, de fornecer e receber o que circula pela atmosfera que um círculo de amigos cria…
- Mas com certeza foi algo diferente disso. Eu tenho a impressão de ter sido completamente condicionado a partir do instante que olhei nos seus…
- Bobagem! Mamãe brinca que eu tenho um pedaço do céu nos olhos e que o céu nos deixa melancólicos, sossegados, nos faz sonhar, nos faz almejar o universo inteiro… Mas o céu está bem ali, e apenas lá, em cima de nós. – A moça soltou um curto suspiro e se deitou. Ele imitou-a. Nuvens que roubaram a luz alaranjada do sol para tentar dissolver a nulidade do preto que as matizavam moviam-se lenta e hipnoticamente através daquele céu crepuscular. Ela achava que ele ia se apagando bem devagarzinho. Soprava uma brisa tranqüilizante reminiscente de brigas em família que acabavam com morna reconciliação. Tudo era calmo e anestésico, pensava ela. E ouvir isso de si mesma a fez rir alto.
- O que foi?
- Ah, é esse céu…
- É muito bonito, sim…
- É maravilhoso.
- Mas às vezes tenho de dizer que receio um pouco que caia sobre nós.
- Mesmo?
- Sim, acho que ele planeja vingança contra todos nós que tentamos perfurar suas entranhas… Não sei, sei que se caísse o faria impiedosamente.
- E o que você faria, se isso acontecesse, bem agora?
- Acho que me ergueria e levantaria os dois braços e tentaria segurá-lo com toda a minha força.
- Ela olhou sarcasticamente pra ele e levantou a sobrancelha para começar a falar:
- Ah, eu acho que não faria isso… Segurar o céu é uma coisa que os pais fazem, uma coisa que fariam para proteger nossa ingenuidade de toda a violência do seu encanto. Uma coisa boba, um medo nítido da intensidade… É um desperdício.
- Mas o que você faria?
- O que eu faria… Se esse infinito desabasse sobre mim, eu me deitaria como fizemos agora há pouco e aguardaria todos os seus alucinantes enigmas, mistérios cuja natureza desconheço, dores místicas e prazeres inimagináveis se chocarem à toda velocidade possível com a ponta do meu indicador!
- Eles se entreolharam com curiosidade. Ela gargalhou e ele não pôde evitar… Acompanhou-a no ato desconexo de toda aquela realidade boba.
Conversaram até as primeiras estrelas introduzirem a segunda parte daquele sortilégio. Em seguida, cada um trilhou seu caminho para casa.
Dezembro 17, 2008 às 5:12 pm
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