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	<title>La Chambre &#187; Acusmas</title>
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	<description>Palavras pararealistas de Gabriel Castilho</description>
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		<title>La Chambre &#187; Acusmas</title>
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		<title>Nosso Jardim</title>
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		<pubDate>Sat, 29 Aug 2009 20:18:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gabriel Castilho Gil</dc:creator>
				<category><![CDATA[Acusmas]]></category>

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		<description><![CDATA[Eu. Eu e Eu. Eu e você longe, de vez em quando. Mas jogo o espelho num canto onde não vou reencontrá-lo.
Muito te procuro olhando ao redor e antes fôssemos todas realmente iguais para que pudéssemos brincar de esconde-esconde, mas você, quando se revela, é sempre nítida, um estigma na terra.
Nos encaramos banhadas pelo sol [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=bieldeadline.wordpress.com&blog=4092303&post=314&subd=bieldeadline&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p><strong>Eu. Eu e Eu. Eu e você longe, de vez em quando. Mas jogo o espelho num canto onde não vou reencontrá-lo.</strong></p>
<p>Muito te procuro olhando ao redor e antes fôssemos todas realmente iguais para que pudéssemos brincar de esconde-esconde, mas você, quando se revela, é sempre nítida, um estigma na terra.</p>
<p>Nos encaramos banhadas pelo sol das oito da manhã e ouvimos nosso passado melodioso sendo sussurado por  uma brisa  sem temperatura, que ja é suficiente para  preencher nossa muito pequena monotonia. Enquanto nossa pureza se derrama e flui sobre a terra cor de cobre, todos agravam o silêncio que nunca se interrompe. O silêncio brando e aconchegante.</p>
<p>Aí no instante em que  te observo com encanto, a terra como que se tornando fria e ácida tinge suas faces de escarlate e só eu posso ver. Um arrepio me domina como se a brisa soprasse de baixo e a brisa me leva mais distante, a brisa vira vento. Vira e nós  de um lado a outro, vertiginando nosso mundo, só nosso e pequeno.</p>
<p>Mais e mais forte você vem até mim e me faz tocar o perfume que quase esqueci e que ao primeiro trago faz meu corpo virar espuma. Todas as outras de nós em seus próprios magnetismos nos esquecem e se divertem ao vento&#8230;  Se chocam, deixam toques de várias cores ao chão, liberam a poeira da vida , liberam-na para todo nosso pequeno mundo, mas só nós dois nos entrelaçamos, dançamos a primavera de nossos desejos, você ao som do meu cravo e eu ao som de sua lira, de sua profana arte em metamorfose atemporal. Que de cordas e som mudo aos meus ouvidos vira poesia lírica.</p>
<p>E em meio ao meu desejo pantanoso de me tornar em você, me faço a maior  e  recolho todas as mais belas outras flores desse nosso jardim e as entrego para ti, para que saibas que temos o nosso pequeno mundo inteiro a nosso dispor e que se toda a beleza desse mundo tem um valor é a de decorar os contornos de nosso amor.</p>
<p>Você me descobre, sem piedade me enforca enquanto suas pétalas voltam a ser alvas como conchas, me obriga a te fazer como, em mais tenra essência, sou. Nos unimos embriagadas em meu licor vermelho e me deleito em vê-lo escorrer docemente pelo seu cálice em anestesia.</p>
<p><strong>As nossas </strong><strong>delicadas</strong><strong> mãos  de Afrodite trazem o espelho que isolei dessa história e o coloca em nossa frente para que vejamos&#8230;</strong></p>
<p><strong>e sem dor e medo realizamos que nos tornamos nós mesmas uma na outra e que assim a sintonia que sempre nos conectou agora nos faz um(a)</strong><strong> só. </strong></p>
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		<title>Os Olhos nos Vitrais</title>
		<link>http://bieldeadline.wordpress.com/2009/06/27/os-olhos-nos-vitrais/</link>
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		<pubDate>Sat, 27 Jun 2009 14:19:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gabriel Castilho Gil</dc:creator>
				<category><![CDATA[Acusmas]]></category>
		<category><![CDATA[Contos]]></category>

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		<description><![CDATA[Entrou apressada, ajeitando o manto em torno do pescoço com o balançar de uma mão; Suas sapatilhas ecoavam na nave.
Estava vazia. Ainda bem, pensou;  Diante do imenso crucifixo oxidado  fez o sinal da cruz e ele ficou marcado em sua testa. Confessou 6 atos que não gostaria que ninguém ouvisse e deixou o frescor do [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=bieldeadline.wordpress.com&blog=4092303&post=283&subd=bieldeadline&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>Entrou apressada, ajeitando o manto em torno do pescoço com o balançar de uma mão; Suas sapatilhas ecoavam na nave.</p>
<p>Estava vazia. Ainda bem, pensou;  Diante do imenso crucifixo oxidado  fez o sinal da cruz e ele ficou marcado em sua testa. Confessou 6 atos que não gostaria que ninguém ouvisse e deixou o frescor do alívio massagear seu interior.Abriu seu livro no Evangelho de Mateus e cantou a oração da maneira que gostava de fazer.</p>
<dl>
<dd><em>Pai nosso, que estás nos céus, santificado seja o teu nome</em></dd>
<dd><em>Venha o teu reino, seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu</em></dd>
<dd><em>O pão nosso de cada dia nos dá hoje</em></dd>
<dd><em>E perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores</em></dd>
<dd><em>E não nos induzas à tentação; mas livra-nos do mal</em></dd>
<dd><em>Porque teu é o reino, e o poder, e a glória, para sempre.</em></dd>
<dd><em>Amém.</em></dd>
</dl>
<p>Trovejou.  Um arrepio cálido lhe subiu do ventre;  Sentiu-se pura, serena e calma. Abriu os olhos e apreciou as ondas da abóboda; concentrou-se e rezou mais uma vez.</p>
<p>Começou a chover lá fora e ela, que era preocupada e ansiosa, simplesmente quis deixar tudo que lhe vinha à mente escorrer com a água da chuva. Sentiu o coração bater intensamente, tirou o crucifixo de estanho da bolsa e o beijou.  Estava gelado como o tempo lá fora, mas ali podia entender que o calor desejava  se esconder, esconder para ser procurado por quem realmente o deseja.</p>
<p>E ela o procurou ali mesmo, deixou acontecer o forte magnetismo entre seus lábios e cada uma das extremidades da cruz. Lágrimas fluiram lenta e sensivelmente.</p>
<p>Rezou pela terceira vez.</p>
<p>Os olhos nos grandes vitrais a observavam com suspeita. Não piscavam; estavam severamente atentos à sua presença.</p>
<p>A tempestade atingiu tal violência que ela pensou que a qualquer instante os relâmpagos trincariam o clerestório. Foi aspirada para o próprio corpo, palpitações pontuavam as piscadas selvagens, olhava para todos os lados.</p>
<p>O medo brotou;  sentiu o sussuro do vento tentando se aproximar, ouviu o bater das asas das gárgulas, sentinelas do lá-fora.  Sentiu um cheiro forte de enxofre; Quis fechar os olhos, quis muito&#8230; Conseguiu. Suas órbitas doíam, mas acreditou que pudessem se acalmar, acreditou que seu coração pudesse voltar a bater com delicadeza. As luzes da igreja foram se apagando&#8230; Aos poucos o tom amarelado, cavernoso, abafado e sóbrio da Igreja foi se apagando, migrando para apenas um ponto. Rezou novamente.</p>
<p>Não havia mais cruz, não havia altar,  retábulo, coluna, ou padre. Fora tudo consumido pelo breu. A única luz ali, pulsante como a de uma vela, esférica e contida era a da Mulher que chorava e orava com Cristo sofrendo, debatendo-se em sua mão esquerda.</p>
<p>Mas a Rosácea no centro superior do abside  e os grandes vitrais laterais também brilhavam.</p>
<p>Os olhos nos vitrais, atentos a todos os movimentos da humanidade, a todos os seus pensamentos, ilusões, angústias e sensações, estavam ali, firmemente presos à figura da moça, cautelosos como águias, prontos para fisgar  deslizes, imprudências e desvirtudes. Estufados como se não houvesse órbitas; aqueles eram os olhos de Júpiter e faziam de seus filhos sua longa órbita. Eletrocutando as bordas do livre caminho, despejando Touros furiosos sobre o livre caminho, mas, ainda assim&#8230; Concedendo terra fértil para que imponentes carvalhos cresçam nas almas de seus filhos, em direção ao céu, apontando para seu firme coração.</p>
<p>Fracamente murmurava as palavras. As palavras poderiam se amontoar no chão, formar picos intermináveis, cumes inalcançáveis pelo homem comum, montanhas sólidas e sem vida. Mas as palavras eram banhadas no místico óleo de seu próprio sentimento, no calor que, antes de alcançar, há muito já estava em torno de si, cavando as terras do inverno de seu ser&#8230; As palavras percorriam o ar como pássaros em êxtase,   rodopiavam vorazmente como nebulosas sem cor e brilho.</p>
<p>(Rezou a ultima vez)</p>
<p>Essas  palavras são as correntes que aprisionam divindades, que estraçalham sua quintessência e confinam seus pedaços em folhas de papel, quadros e estátuas. São isolantes contra os relâmpagos da criação, são amaciantes para a fúria, são encantamentos para se manter a tranquilidade. São os lapsos da onisciência, da onipresença, são a mortalidade e a desvirtude divina.</p>
<p>Ela agora sentia-se intocável pelo medo. Terminara sua missão, mergulhara na gênese e emergira no apocalipse da história de seu dia.</p>
<p>Levantou-se  e caminhou levemente até o portal.  A impressão da cruz ainda estava tatuada em sua testa.</p>
<p>A Chuva passara.</p>
<p><strong>Aquilo que criou o homem e tudo que a este está ligado não criou a Fé</strong>. <strong>A Fé foi o livre caminho que o homem encontrou de domesticar Aquilo que o criou.</strong></p>
<p>Antes que ela terminasse a ultima oração, os elétricos e atentos olhos nos vitrais,  serena e resolutamente se cerraram .</p>
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		<item>
		<title>Barcarola</title>
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		<pubDate>Sat, 11 Apr 2009 21:08:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gabriel Castilho Gil</dc:creator>
				<category><![CDATA[Acusmas]]></category>

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		<description><![CDATA[Per ribeira do río
vi remar o navío,
e sabor hei da ribeira.
(Vai)
Vi, com meus olhos desejosos.  Minhas mãos trêmulas, ai Deus. A água deslizando-se pela areia deitada distante, mas a meu lado. Serenamente, a lua alisando o corpo do mar, mar somado às fluviais águas de rumo decidido, à minha frente. Ah, quisesse Deus que eu fosse [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=bieldeadline.wordpress.com&blog=4092303&post=258&subd=bieldeadline&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p><em><strong>Per ribeira do río<br />
vi remar o navío,<br />
e sabor hei da ribeira.</strong></em></p>
<p>(Vai)</p>
<p>Vi, com meus olhos desejosos.  Minhas mãos trêmulas, ai Deus. A água deslizando-se pela areia deitada distante, mas a meu lado. Serenamente, a lua alisando o corpo do mar, mar somado às fluviais águas de rumo decidido, à minha frente. Ah, quisesse Deus que eu fosse o rio, breve rio defronte a mim. Rio que num piscar de uma estrela nessa clara noite se encontrará com a selvageria salgada que se torce e retorce sobre si mesma. Rio que deixando o sentido objetivo se jorra na selvageria da deriva. Ah, quisesse Deus que eu fosse o rio e me rendesse à imensidão azul. Imensidão que oscila em ondas, vem e volta, vem e volta, mais forte! Vem e volta, vem e volta! Imensidão que vai mas nunca chega, imensidão que com o orgulho da terra, vai, mas vai sempre olhando pra trás. Ai meu amigo, quisesse Deus me fazer rio pra te encontrar no vazio desse mar e me desencontrar do vazio que meu peito há de para este sempre carregar.</p>
<p class="western"><em><strong>Irei a lo mar veé-lo meu amigo:<br />
pregunta-lo-ei se querrá viver migo.<br />
E vou-m&#8217;eu namorada.</strong></em></p>
<p class="western"><em><strong>Pregunta-lo-ei por que non vive migo,<br />
e direi-lh&#8217;a coita&#8217;n que por el vivo.<br />
E vou-m&#8217;e namorada.<br />
</strong></em></p>
<p class="western">(Volta)</p>
<p class="western">O Tempo que passa é o vento que bate na vela e nessa imensidão confusa nos faz vagar sem cessar. A nau é o corpo resolvido e nós, que aqui atuamos, a alma perturbada, penada,  a alma que quer a terra, quer a cama, quer o cheiro do seco, quer o solo duro, quer aquela que se mostra, que se faz existir em nossas memórias, que se faz presente apenas pelo olhar que mirou a mesma água sob nosso corpo. O Destino, o Vento e o Desequilíbrio se alinham nas mãos do ancião embebido de fúria e a água está sempre a ebulir ao nosso redor. Envelhecemos o corpo e a casca da alma, nos constipamos perfurados pelos três espinhos oceânicos, mas ainda sentimos a alegria emergir da borda do horizonte, sentimos a elevação e o mesmo tempo que a cria nos faz aceitar o instante da rebentação em que tudo desaba e se emaranha na espuma.</p>
<p class="western">Voltem pra mim, minha terra, meu povo, minha amada. Não mais me torturem com rochedos, afogados e ninfas. Não mais sei onde me encontro, porém mais do que sei aonde quero atingir, sei para onde quero voltar.</p>
<p class="western"><em><strong>Nas barcas novas foi-s&#8217;o meu amigo d&#8217;aquí<br />
e vej&#8217;eu viír barcas e tenho que ven i,<br />
mia madre, o meu amigo.<br />
</strong></em></p>
<p class="western">(Vai)</p>
<p>Ai ,u é tu que me deixou a esperar, a receber de bom grado retornantes de corpo e espírito doentes, u é tu que acende meus eixos com navios vazios para mim, que me faz criar tormentas no meio da calmaria de praias desertas para mim, que me faz sorrir por madrugadas sonhadoras, madrugadas insones, madrugadas convictas.</p>
<p class="western">Eu me desespero. Eu estraçalho as águas frias a procurar vestígios do nosso passado. Eu não quero mais suportar a madeira podre sobr&#8217; a qual estou sentada. Não mereço, não preciso, não quero, mas me ponho a suportar&#8230;</p>
<p class="western">Os mares do nosso (velho) mundo, arquipélagos inteiros,  ecos da minha mente em agonia, ai Deus, só pode ser eu, coitada e tola, que cria os maremotos em seu caminho, que faz surgir corsários em momentos de paz, que dá bela voz às sereias&#8230; Corro impaciente em volta de grandes atóis noturnos, os decoro, ignoro as marés que vem e vão por anos, tropeço na própria água dura, corro sem sair do lugar&#8230; te chamo, te grito&#8230; Gritos que sopram seu vento para o sentido errado, gritos que chegam com moléstias, gritos que acordam monstro marinhos.</p>
<p class="western">porém, gritos que não quebram o silêncio do porto.</p>
<p class="western"><em><strong>E cercarom-mi as ondas do alto mar,<br />
nom ei i barqueiro nem sei remar.<br />
Eu atend’o meu amigu’… e verrá?</strong></em></p>
<p><em><strong>Nom ei i barqueiro nem remador,<br />
e morrerei eu fremosa no mar maior<br />
Eu atendend’o meu amigu’… e verrá?</strong></em></p>
<p><em><strong> </strong></em></p>
<p><em><strong>Nom ei i barqueiro nem sei remar<br />
e morrerei eu fremosa no alto mar.<br />
Eu atendend’o meu amigu’… verrá?</strong></em></p>
<p class="western">(Volta)</p>
<p class="western">(Vai)</p>
<p class="western">(Volta)</p>
<p class="western">&#8230;</p>
<p class="western">
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		<title>Caravanas de Acostamento</title>
		<link>http://bieldeadline.wordpress.com/2009/02/16/caravanas-de-acostamento/</link>
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		<pubDate>Mon, 16 Feb 2009 02:32:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gabriel Castilho Gil</dc:creator>
				<category><![CDATA[Acusmas]]></category>

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		<description><![CDATA[Tomando como inspiração desde belas paisagens que o cotidiano banaliza, até folhetos que a estrada não pára de trazer a nosso encontro, a história do nosso caminhar vai se formando sem nunca pedir um ponto final
O objetivo, meu chapa, é o próximo passo, que hipnotiza a musculatura treinada de nosso ser qual nunca poderia encarar [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=bieldeadline.wordpress.com&blog=4092303&post=225&subd=bieldeadline&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>Tomando como inspiração desde belas paisagens que o cotidiano banaliza, até folhetos que a estrada não pára de trazer a nosso encontro, a história do nosso caminhar vai se formando sem nunca pedir um ponto final</p>
<p>O objetivo, meu chapa, é o próximo passo, que hipnotiza a musculatura treinada de nosso ser qual nunca poderia encarar a solidez de uma estátua. Que mais do que isso, se desgasta ao tentar entender o desejo humano de encontrar no meio da vida um quarto escurinho, fechado e morno; onde possa se trancar sem falha, na segurança do próximo dia e mesmo assim, resignando a sabedoria de velhos anciões que procuram uma tranqüilidade objetiva e contida e se pegam sem querer, em frenesi, frenesi, frenesi (Não respira, continua!) caminhando de um lado a outro no cômodo, botando os miolos para funcionar e se maravilhando com o movimento das próprias engrenagens. Mas por que, para que? Como é possível? Ora se não existe, no âmago da sabedoria da existência, a gota de burrice que faz transbordar o recipiente da mente humana&#8230; Transborda a sobrecarga que a mente elétrica não suporta e doa para o corpo ígneo! O corpo que nos carrega, o corpo que nos consome enquanto nós o consumimos pelas rotas siderais das nossas ambições</p>
<p>Sim, nós podemos ser humanos, mas a única escuridão que conhecemos é a da confusão de nossas mentes entre dois passos e a dos profundos túneis rodoviários!</p>
<p>Sim, nós podemos ser humanos, mas a única coisa fechada para os nossos olhos e para os nossos corpos é o pensamento do companheiro que está logo ao lado, aéreo entre os silêncios de assuntos que nunca acabam completamente nem começam, simplesmente cochilam</p>
<p>Sim, nós podemos ser humanos, mas o único calor que conhecemos é o do sol do meio dia, o sol da chegada e o sol da partida, que quase se confundem no ato instantâneo de mal se encontrar em algum lugar e começar a se desapegar. O sol está sempre, sempre a um passo de nós! Tecendo a eterna tapeçaria de luz da qual tanto deleite nos é injetado que esquecemos que o néctar é para o viajante não esse travesseiro com penas de ganso, mas o delirante sorriso do homem que nos aponta o próximo não-destino.<span> </span></p>
<p>Um dia, na borda da estrada, nos pegamos cansados, desanimados, talvez até vegetais, apesar das passadas. A estrada também conta suas histórias&#8230; E não é que cansamos de ouvi-las, mas sim que chegamos ao ponto de precisar contá-las também</p>
<p>E de rios destruidores, impiedosos e incansáveis nos tornamos pequenas gotas prateadas, bem acomodadas no espaço que nos é cabido, relembrando que enquanto caminhávamos de cidade em cidade como jovens dotados de asas nos pés, ou velhos magos cinzentos, sabíamos que esse fim era fatal</p>
<p>Viajar nem sempre seria bom enquanto se carregasse o fardo da má notícia nas costas doloridas. Passar por qualquer lugar emanando os agouros vulturinos era o repulsor de olhares que todo andarilho gostaria de possuir enquanto cabeças lançavam olhares desprezíveis para o mendigo que o corpo revelava. Mas carregar a tanto a má quanto a boa notícia de lado a lado do mundo é para poucos&#8230; É criar pontes mais sólidas entre extremos simultaneamente intangíveis, mas criar pavores maiores do que as sombras da guerra, da fome, da peste e da morte</p>
<p>Uma odisséia é entre outras coisas um ato discreto de comunicação em que acabamos noticiando para nós mesmos a nossa auto-existência. Nós que corremos o mundo à procura de nós mesmos queremos auto-existir em movimento&#8230; Apenas&#8230; Apenas, meu chapa, porque nada nesse mundo que tanto  percorreremos, alguma vez, em algum instante, permanecerá completamente parado.</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-left:35.45pt;text-align:justify;text-indent:14.2pt;">
<p class="MsoNormal" style="margin-left:35.45pt;text-align:justify;text-indent:14.2pt;">
<p class="MsoNormal" style="margin-left:35.45pt;text-align:center;text-indent:14.2pt;">*                      *                      *</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-left:35.45pt;text-align:justify;text-indent:14.2pt;">
<p class="MsoNormal" style="margin-left:35.45pt;text-align:justify;text-indent:14.2pt;"><span style="font-size:12pt;font-family:&quot;">(E se alguém nos chama pelo nome à procura de ajuda só podemos alertar que assim como não se chega ou se parte de lugar algum não se pode pontuar ou virgular a vida)<br />
</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-left:35.45pt;text-align:justify;text-indent:14.2pt;"> </p>
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		<title>E se o infinito despencar sobre mim&#8230;</title>
		<link>http://bieldeadline.wordpress.com/2008/12/17/e-se-o-infinito-despencar-sobre-mim/</link>
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		<pubDate>Wed, 17 Dec 2008 17:05:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gabriel Castilho Gil</dc:creator>
				<category><![CDATA[Acusmas]]></category>
		<category><![CDATA[Contos]]></category>

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		<description><![CDATA[O Movimento de seu corpo reboava intransigentemente à maciez dos ares que a circundavam. Sorria, de olhos fechados, rodava, rodava, rodava e ficava tonta, cambaleava&#8230; Já estava quase caindo. Sentia a cabeça escorrer vertiginosamente pelos seus ombros e soltava um gemido que alargava deliciosamente o seu sorriso.
A garota deitou-se delicadamente como se o chão exercesse [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=bieldeadline.wordpress.com&blog=4092303&post=184&subd=bieldeadline&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>O Movimento de seu corpo reboava intransigentemente à maciez dos ares que a circundavam. Sorria, de olhos fechados, rodava, rodava, rodava e ficava tonta, cambaleava&#8230; Já estava quase caindo. Sentia a cabeça escorrer vertiginosamente pelos seus ombros e soltava um gemido que alargava deliciosamente o seu sorriso.</p>
<p style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">A garota deitou-se delicadamente como se o chão exercesse um magnetismo caridoso sobre o seu corpo&#8230; Sua pele azeitonada coberta por uma tanga clara se sujara um pouco pelas muitas vezes que repetira o ato de girar e cair. E agora não parava de cair. Sua visão continuava dançando, continuava se inclinando para a diagonal. Ela ainda virava a cabeça para deixar tudo num eixo decente, mas começava a rir e tudo balançava novamente.</p>
<p style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">Uma coisa engraçada lhe ocorrera mais cedo, quando saía de casa à procura de alguma reflexão.</p>
<p style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">
<p style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">Seus pés descalços tocaram o chão de terra seca e fofa, polvilhada de minúsculas folhas secas e crocitantes. Vocalizava uma música que sua mãe muito cantara para ela quando pequena e que há pouco fora redescoberta enquanto vasculhava suas memórias de menina-mirim. Achava que tinha uma voz bonita, bem sonora, na exata divisão entre o poder e a delicadeza e gostava disso. Se os outros não achavam o mesmo, bem&#8230; Quem iria impedi-la de continuar cantando?</p>
<p style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">Não obstante, a resposta ameaçou chegar monocromaticamente, mesclada ao marrom quase alaranjado dos pinheiros-do-alepo que muito cobriam o lugarejo onde morava. Apoiando-se de tronco em tronco quando inevitável, pulava, cada vez com um pé, mordendo a língua numa tentativa energética de concentração para manter o seu padrão. Em uma das curvas que fez, uma árvore diferente se posicionou para apoiá-la. Imponente, talvez rígida, castanha como quase tudo por ali. Mas a árvore sorriu e um homem surpreendentemente se revelou.</p>
<p style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">
<p style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">- Ei menina, atrapalhei sua brincadeira, não é? – A garota empinou o nariz e continuou andando. O homem a seguiu.</p>
<p style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">- Que brincadeira? Não estava brincando coisa nenhuma.</p>
<p style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">- Ah, me desculpe, atrapalhei aquilo que você estava fazendo&#8230;</p>
<p style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">- Eu? O que eu estava fazendo?</p>
<p style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">O homem irritou-se com a indiferença que a impedia de parar para falar olhando em sua cara. Em um pulo segurou-a obstinadamente pelo braço e forçou-a com violência a olhá-lo no olho.</p>
<p style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">- Qual é o seu problema!? O que quer de mim? – Ela retribuiu a violência com a aspereza mais corrosiva que conseguiu imprimir naquelas palavras, mas nada retornou dele em reflexo. Ele penetrava em seus olhos. Os olhos dele tremiam anacronicamente com a boca que tentava murmurar algo sem som.</p>
<p style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">- O que aconteceu? – Murmurou secamente.</p>
<p style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">- Acho que dá pra ver o crepúsculo pelos seus olhos – Ela assustou-se com o tom calmo de sua voz, mas continuou carrancuda. &#8211; ou talvez a aurora&#8230;</p>
<p style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">- Me larga! – Soltou-se num tranco e retomou a caminhada com seu objetivo refulgentemente ofuscando em suas passadas largas. Mas o homem não desistiu. Correu até ficar ao seu lado.</p>
<p style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">- Vamos, me diz seu nome pelo menos! Deixe-me ter pelo menos alguma coisa de você!</p>
<p style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">- Me erra! – Continuaram em passadas comicamente bem investidas. Ela com a cara fechada em silêncio, apressada. Ele, tentando arquitetar a próxima fala. Sucederam-se longos lapsos silenciosos</p>
<p style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">- Você quer saber de uma coisa?</p>
<p style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">- Fala logo!</p>
<p style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">- Acho que não devia ter olhado nos seus olhos. &#8211; Ela olhou descrente para ele, franzida e virou o rosto rapidamente, sem paciência.</p>
<p style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">- Me poupe&#8230;</p>
<p style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">- Alguma coisa minha ficou presa dentro dos seus olhos&#8230;</p>
<p style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">- Como é?</p>
<p style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">
<p style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">- Seus olhos roubaram algo de mim e você trancafiou isso dentro de você&#8230;</p>
<p style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">- Mas entre as reações que ela poderia ter desempenhado a mais adversa e curiosa foi a que traumaticamente sucedeu-se. A moça parou. freou com a firmeza de uma rocha e o encarou severamente nos olhos. E ele, mais uma vez pôde olhá-la nos olhos.</p>
<p style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">O firmamento de índigo parecia um côncavo espelho embaçado. Sentiu uma sensação engraçada ao mergulhar na coisa estranha que ocupava a tal concavidade azul, talvez fizesse isso para se enxergar no real espelho que estava ali em algum lugar por trás de todo aquele vapor. A coisa, não conseguia entender se era líquida ou gasosa, mas era densa e morna&#8230; Disso ele tinha certeza. Podia respirá-la e vinha uma sensação mais esquisita ainda quando tentava tocá-la também.</p>
<p style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">Sentiu uma picada aguda na exata fronteira entre o Canadá e a América e não se sabia qual ficava ao sul do seu pulso e qual ficava ao norte. Precisava se certificar. Olhou para o pulso, com cautela. Algo estranho poderia acontecer&#8230; Sentia que algo diabólico poderia acontecer se não enchesse aquela grande bóia que sua Tia Marta trouxera de Majorca em uma excursão paga que fizera há alguns anos. Uma vez! Vira como era potente uma vez, quando o Niágara com suas protuberantes barbas e sua douta feição assentiu que fossem, os quatro, quicando nas águas coléricas de sua maior mecha. As memórias provocaram um incômodo no exato meio-caminho entre seus dois ouvidos. A queda foi a pior parte. Ele, Al Jardine, Marta Cornwall e, não sabia ao certo o grau de parentesco, mas talvez, a prima de sua tia, <span>Marguerite Yourcenar</span>. Por ventura, foram os quatro caindo da proteção gelatinosa da bóia. Primeiro Al enquanto cantarolava a seqüência de bemóis que acabara de se sugerir, depois Marguerite. Sua avó, sagaz como sempre fora, conseguira se prender com o pé direito em uma espinha que se projetava pra fora da fluidez de toda aquela barba. &#8211; Mas uma dor incomodativa no ouvido o fez querer encerrar a lembrança mais rapidamente. – Ao ver que era o ultimo a cair, precisava fazer alguma coisa (Dores). Lembrou-se de ter se agradecido muito por lembrar do buraco de entrada do ar da bóia. Agradeceu-se centenas de vezes. Esticara o buraco para que coubesse lá dentro.</p>
<p style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">- Entra logo!!! – Talvez alguém que tivera a mesma idéia que ele em outra ocasião&#8230; Uma voz mal humorada ecoou de lá de dentro.</p>
<p style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">O conteúdo que saia o puxou para dentro como uma emulsiva língua.</p>
<p style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">
<p style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">PAF! Era esse o perigo, afinal de contas. Algo o dizia, com uma voz macia, que não havia razões para perder a calma. E foi assim que conseguiu se conter bem pacífico enquanto a língua moderadamente inchada lambia circunferencialmente seu pulso. Ela dizia por entre sons suculentos:</p>
<p style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">- Hum!! <span lang="IT">Sacramento, Eugene, Delícia, delícia. Spokane! Ah! </span>Salt Lake City&#8230; é por isso que o sabor acentuou-se. Cheyenne, Bismark&#8230; Não agüento! Não agüento essa tentação! Winnipeg, meu deus, sabores transcendendo fronteiras! Oh, St. Paul!</p>
<p style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">- É isso! – O rapaz acabou tomando por pista e suspeitando das posições de cada cidadezinha. Por acaso&#8230; Dentro da bóia percebeu que podia pedir ajuda ao seu velho professor de geografia que nadava vorazmente de um lado a outro daquela gelatina palidamente azul como se acabasse de se render a um descanso recreativo, fruto dos esforços de lacrar novamente a saída de ar da bóia.</p>
<p style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">- Winnipeg! É Winnipeg! – Falou o rapaz passivo à dominação do êxtase. – Winnipeg é canadense! Posso apostar que é! O que me diz doutor Phillips?</p>
<p style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">- Acho que precisa rever angulações! Afinal, em que sentido as cidades poderiam estar sendo enumeradas!? Mas o setor de matemática preparou uma aula especial para acabar com seus problemas! Hei! William!?</p>
<p style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">- Um homem gordinho com olhos murchos assentiu com a cabeça, que era a única coisa perfeitamente visível dentro da bolha viscosa em que residia.</p>
<p style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">
<p style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">Cócegas.</p>
<p style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">
<p style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">A língua caiu para fora do pulso levando consigo pequenas lascas das Rochosas. Do orifício que ficou, uma delicada mão-braço-cotovelo-antebraço&#8230; Emergiu viscosamente, como um bebê parido sem impedâncias. De lá foi saindo gradativamente uma bela moça de cabelos louro-prateados, sem rosto, que aproveitando as proximidades das mãos iniciou uma dança giratória com o rapaz assim que o ultimo centímetro de seu sapatinho de salto deixou o pulso.</p>
<p style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">Muito bem garoto. É simples&#8230;</p>
<p style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">Horário&#8230;</p>
<p style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">O giro que a garota deu fez o rapaz perder o equilíbrio instantaneamente. Recuperou-se e se distraiu no ato deparando-se com rochas azuladas que murchavam e inflavam por todo lugar, algumas tinhas palavras grafadas de algum modo, mas perdeu o foco depois um tempo.<span> </span>(Girava e girava) na retomada do foco, homenzinhos tocavam flauta e dançavam marotamente ao som seu som suave. Com medo de perder o foco novamente, apertou os olhos e viu que os homens martelavam bruscamente as pedras com a flautinha (girava e girava). Mas na próxima vez que perdeu o foco só ouviu as vozes&#8230;</p>
<p style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">(É ouro, ouro!)</p>
<p style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">(Ele vai pagar uma fortuna por isso, Stuart!)</p>
<p style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">(Caramba esse negócio não é tão quente, mas uma hora, uma hora vai derreter a porcariada!)</p>
<p style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">Por fim. Enjoado. Foi sentindo a dançarina ir diminuindo a velocidade dos giros. (parando, parando)</p>
<p style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">- Garoto, se importa se subirmos um pouco, antes de começarmos o anti-horário? O ar daqui de baixo é muito pesado.<span> </span>(Parou!) – Zonzo, o rapaz se achou num extenso salão forrado exageradamente de ouro, mas não conseguiu se ater a muita observação. Localizou duas das pedras que anteriormente eram azuis e enfim pôde ler a mensagem que elas diziam em letras garrafais: O que esta esperando, homem! Diga que não se importa!</p>
<p style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">- Não, madame&#8230; Nem um pouco.</p>
<p style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">E subiram na velocidade do som.</p>
<p style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">Durou pouco menos de vinte segundos, mas se a volta não durasse tanto quanto se não menos, morreria sem ar. “Um pouco acima” era fantástico. O azul celestial ia ficando mais opaco e escuro até que na borda do horizonte se cancelava no gélido preto e só!. Não havia por do sol, nem nuvens paradisíacas ali em cima, mas era tudo esplendorosamente mágico.</p>
<p style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">O rapaz já girava sem perceber quando de repente o senhor céu, brincalhão, notando a distração dos dois, usou toda a elasticidade que tinha, esticou-se como a base de um trampolim e deu um empurrão no casal giratório que mais parecia um pião sônico.</p>
<p style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">E então ela soltou os braços dele. Aquela era a hora em que tudo, estranho, porém prazeroso, talvez revelasse a sua porção de perigo. Ele ia caindo e caindo. Mas não poderia cair até o fim&#8230; Aquilo destruía sua consciência (Caía mais rápido). O fluxo com que as coisas aconteciam só contribuía para que ele confiasse numa boa sorte e&#8230;</p>
<p style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">Parou. Seus braços estavam abertos e ele acabara de quicar numa ínfima nuvem, tal como a bóia ricocheteara nas águas do niágara. Mas abrir os braços não o deixara fixo no meio do céu. O que tinha em mãos, agora, era o poder quase trivial, nas circunstâncias, de cruzar o céu como uma maleável flecha.</p>
<p style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">O ar se esfregava seco em sua pele e pela primeira vez ele sentiu que a segurança era uma sensação meramente plástica. Sentia uma pressão tão intensa e prazerosa sobre sua coluna que era como se estivesse sendo conduzida por uma grande mão que conduz um avião de papel até o momento da decolagem. Sentia-se, apesar disso, unicamente dono de suas próprias asas (Só é possível voar nos mais altos limiares do céu) e que a natureza celestial era uma servente empaticamente disposta a cumprir todos os seus desejos&#8230; Era uma escra&#8230;</p>
<p style="text-align:justify;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">
<p style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">- NUNCA! &#8211; Gritou a garota de pele azeitonada ficando definitivamente possessa.</p>
<p style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">- Nunca, em hipótese alguma, me compare a qualquer tipo de coisa que diga respeito à limitação. Eu, todo o meu corpo e principalmente toda a minha alma estamos contornados de liberdade e não seríamos potencialmente capazes de prender nada de ninguém em nenhuma figuração! E digo mais! Não tente se aproximar vetando os meus caminhos, me segurando e contendo de mansinho essa liberdade de que falo! Nunca mais tente isso dessa forma, paspalho!</p>
<p style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">- E saiu correndo velozmente para a saída da floresta que se encontrava pouco depois de uma clareira.</p>
<p style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">- O Rapaz caiu no chão desnorteado e lá ficou durante ininterruptas 2 horas em que se questionou incansavelmente quanto à solidez do que certamente lhe ocorrera entre a freada e a bronca.</p>
<p style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">
<p style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">A moça ainda gargalhava imaginando o transtorno pelo qual o rapaz devia ter passado depois que ela correu sem olhar para trás. Mas o que acontecera depois de sair correndo não se ligava diretamente a estar deitada sozinha no gramado aberto em frente à floresta, olhando para o firmamento.</p>
<p style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">Suas amigas estiveram ali com ela e elas puderam se divertir um bocado. Correram milhas uma atrás da outra, depois dançaram puerilmente enquanto cantavam versões histéricas de musicas de ninar. Por fim deitaram-se exaustas nos gramados e se puseram a estudar investigativamente os vários formatos das nuvens que aconteciam na extensão daquele magnífico céu azul-furtivo. Céu que parecia impossível depois de tantos dias de chuva. Poucos minutos atrás, todas as meninas haviam voltado pra&#8230;</p>
<p style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">
<p style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">Ouviu o farfalhar da grama que quase ultrapassava seu tornozelo.</p>
<p style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">Era o homem de novo. Certamente que o era. Mas desta vez seria tolerante e paciente com ele.</p>
<p style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">O homem ficara paralisado na metade do caminho que levava até ela. Para a sua surpresa, foi ela quem o chamou com o indicador, sorrindo sem mostrar os dentes pra ele.</p>
<p style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">Ficaram bons três minutos em silêncio, olhando para o horizonte que se abria completamente no panorama da grandiosa falésia sobre a qual se sentavam serenamente. Ela virou-se para ele:</p>
<p style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">- Bem, acho que fui grossa com você. Não precisava ter agido daquela forma.</p>
<p style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">- Certamente que me assustou, senhorita. &#8211; Ela sorriu timidamente. – Aquelas seis moças que estavam aqui com você são suas irmãs?</p>
<p style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">- São minhas amigas, minhas grandes melhores amigas. Mas&#8230; Sim, são minhas seis irmãzinhas mais novas.</p>
<p style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">- Posso saber seu nome agora? – Ela olhou pra ele sorrindo com um olhar pretensioso e murmurou:</p>
<p style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">- Ainda não desistiu então&#8230;</p>
<p style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">- Mas é tão simples!</p>
<p style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">- É claro que é simples, mas não é nenhum pouco importante. Nem vou perguntar o seu&#8230; Mas me diga agora: Vem da cidade?</p>
<p style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">- Ah, sim, venho e acho que não me demoro muito por aqui, infelizmente.</p>
<p style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">- Se eu te contar uma coisa promete que vai prestar bastante atenção?</p>
<p style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">- Mas é claro, implorei tanto por ouvir alguma coisa de você&#8230;</p>
<p style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">- Pois bem. Se ficasse mais um tempo aqui, conosco&#8230; Digo conosco, por que certamente teria que conhecer as sete irmãs todas reunidas. Mas enfim, você pela primeira conseguiria comer com garfo e faca a liberdade, sabia disso?</p>
<p style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">- Me atrevo a dizer que tive um contato com isso hoje&#8230;</p>
<p style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">- Não, você não teve! Não teve mesmo. A Liberdade pra você ainda está lá em cima – E apontou profeticamente para o céu – A liberdade pra você ainda é um sonho bem lúcido e nada mais do que isso!</p>
<p style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">- Acho que sonhei acordado hoje.</p>
<p style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">- É mesmo?</p>
<p style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">- Sim, pouco antes de você me dar aquela bronca.</p>
<p style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">- Ora, mas não foi uma “bronca”&#8230;</p>
<p style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">- Foi perto disso, mas&#8230; Bem, o que lhe digo é que aconteceu uma coisa muito singular comigo, quando olhei nos seus olhos&#8230; Acho que acabei de compreender o verdadeiro significado de sonhar acordado.</p>
<p style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">- Bem, você vai achar implicância, mas eu novamente acho que você se engana! Só se sonha acordado quando se está do lado de grandes amigos. Só em momentos de grande êxtase em grupos que nossa mente se torna essa mistura de aspirador de pó com processador de alimentos.</p>
<p style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">- Com o quê?! – Os dois explodiram juntos em gargalhadas.</p>
<p style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">- Hei, não ria, eu falo muito sério! Sua mente eufórica vai sugando e misturando tudo que você mostra pra ela a partir do momento que ela, como um ser individual sente que a lucidez de estar acordado também pode, em alguma circunstância, ser uma válvula de escape. São aqueles que caminham ao seu lado muito proximamente que tem o toque de ativação dessa engrenagem, pois são eles que proporcionam a segurança, te deixam à vontade para que sua alma se eleve a um patamar de transitoriedade, de fornecer e receber o que circula pela atmosfera que um círculo de amigos cria&#8230;</p>
<p style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">- Mas com certeza foi algo diferente disso. Eu tenho a impressão de ter sido completamente condicionado a partir do instante que olhei nos seus&#8230;</p>
<p style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">- Bobagem! Mamãe brinca que eu tenho um pedaço do céu nos olhos e que o céu nos deixa melancólicos, sossegados, nos faz sonhar, nos faz almejar o universo inteiro&#8230; Mas o céu está bem ali, e apenas lá, em cima de nós. – A moça soltou um curto suspiro e se deitou. Ele imitou-a. Nuvens que roubaram a luz alaranjada do sol para tentar dissolver a nulidade do preto que as matizavam moviam-se lenta e hipnoticamente através daquele céu crepuscular. Ela achava que ele ia se apagando bem devagarzinho. Soprava uma brisa tranqüilizante reminiscente de brigas em família que acabavam com morna reconciliação. Tudo era calmo e anestésico, pensava ela. E ouvir isso de si mesma a fez rir alto.</p>
<p style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">- O que foi?</p>
<p style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">- Ah, é esse céu&#8230;</p>
<p style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">- É muito bonito, sim&#8230;</p>
<p style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">- É maravilhoso.</p>
<p style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">- Mas às vezes tenho de dizer que receio um pouco que caia sobre nós.</p>
<p style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">- Mesmo?</p>
<p style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">- Sim, acho que ele planeja vingança contra todos nós que tentamos perfurar suas entranhas&#8230; Não sei, sei que se caísse o faria impiedosamente.</p>
<p style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">- E o que você faria, se isso acontecesse, bem agora?</p>
<p style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">- Acho que me ergueria e levantaria os dois braços e tentaria segurá-lo com toda a minha força.</p>
<p style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">- Ela olhou sarcasticamente pra ele e levantou a sobrancelha para começar a falar:</p>
<p style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">- Ah, eu acho que não faria isso&#8230; Segurar o céu é uma coisa que os pais fazem, uma coisa que fariam para proteger nossa ingenuidade de toda a violência do seu encanto. Uma coisa boba, um medo nítido da intensidade&#8230; É um desperdício.</p>
<p style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">- Mas o que você faria?</p>
<p style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">
<p style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">- O que eu faria&#8230; Se esse infinito desabasse sobre mim, eu me deitaria como fizemos agora há pouco e aguardaria todos os seus alucinantes enigmas, mistérios cuja natureza desconheço, dores místicas e prazeres inimagináveis se chocarem à toda velocidade possível com a ponta do meu indicador!</p>
<p style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">- Eles se entreolharam com curiosidade. Ela gargalhou e ele não pôde evitar&#8230; Acompanhou-a no ato desconexo de toda aquela realidade boba.</p>
<p style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">Conversaram até as primeiras estrelas introduzirem a segunda parte daquele sortilégio. Em seguida, cada um trilhou seu caminho para casa.</p>
<p style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;"><strong> </strong></p>
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		<title>Afronesia de Chumbo</title>
		<link>http://bieldeadline.wordpress.com/2008/11/13/afronesia-de-chumbo/</link>
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		<pubDate>Thu, 13 Nov 2008 17:08:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gabriel Castilho Gil</dc:creator>
				<category><![CDATA[Acusmas]]></category>

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		<description><![CDATA[Devo empunhar esta foice ou girar a roda do zodíaco?
*
*
*



Vai passar, vai passar. Sempre passe, meu bom homem.
Passa.
Olha ali Bianca! É aquela menina com a qual um dia você quis poder compartilhar as mãos. Quis que te empurrasse no balanço, que brincasse com as suas bonecas adereçadas à ponto russo, que um dia virou pra [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=bieldeadline.wordpress.com&blog=4092303&post=118&subd=bieldeadline&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p style="text-align:left;text-indent:35.4pt;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;"><em>Devo empunhar esta foice ou girar a roda do zodíaco?</em></p>
<p style="text-align:left;text-indent:35.4pt;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;"><em>*</em></p>
<p style="text-align:center;text-indent:35.4pt;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;"><em>*</em></p>
<p style="text-align:right;text-indent:35.4pt;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;"><em>*<br />
</em></p>
<p style="text-align:right;text-indent:35.4pt;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;"><em><br />
</em></p>
<p style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">Vai passar, vai passar. Sempre passe, meu bom homem.</p>
<p style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">Passa.</p>
<p style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">Olha ali Bianca! É aquela menina com a qual um dia você quis poder compartilhar as mãos. Quis que te empurrasse no balanço, que brincasse com as suas bonecas adereçadas à ponto russo, que um dia virou pra você e te falou do Diogo, do André, do Denis, do Túlio, do&#8230;</p>
<p style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">Bianca vem cá. O quê que aconteceu a vocês duas? Eram tão amigas, não? Não existiam separadas, simbiose feminina de quarto grau eu diria&#8230; Mas vem, me fale o que não mais existe entre vocês.</p>
<p><em>Senhor dia-após-dia.</em></p>
<p style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;"><em>A Talita está diferente. Ela começou a passar o recreio com outras meninas também e está vindo com umas idéias esquisitas pra conversar comigo. Eu, eu estou achando ela meio chata. Não queria que ela ficasse diferente. Quero a Talita de sempre. Queria conseguir sorrir pra ela de novo e andar ao lado dela contente de novo e me divertir com ela de novo, mas hoje, mais exatamente nesse instante me lembrei que estou tomando um café com leite, seis minutos atrasada para ficar 6 horas sentada num escritório. Acho que o Sr. Francis não vai me notar, mas essa mancha marrom na minha camisa branquinha&#8230; Pago a conta e vou, não é isso? Deixo para pensar nessa história às duas horas da manhã naquela madrugada em que encontrar a nossa bonequinha siamesa nas caixas da mudança. Bianlita, era esse o nomezinho.</em></p>
<p style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;"><em><br />
</em></p>
<p style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">Salve-salve seus filhotes lindos, Helena. Os dois pequenos que você achou que não teria quando chupava limões e os cobria de tequila em troca de alguma loucura. Os dois pequenos que serão sempre seus pequenos (Ai, ai me solta!).</p>
<p style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">Um dia você acordou e descobriu que os dois bebês não estavam no chiqueirinho, onde seu marido os deixava toda manhã ao sair com o cachorro. Helena, Helena, você estava enjoada de aflição quando se pôs a procurar em silêncio pela casa inteira esperando ouvir alguma risada ou gemido de Rômulo. Foi ao banheiro, onde uma vez Remo bateu o queixo na quina da banheira enquanto a observava dar banho no irmãozinho. É isso aí, foi lá umas duas vezes, mas só na terceira olhou para o espelho.</p>
<p style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">Encontrou aquela placa cristalina embaçada de onde uma mulher de pele amassada por expressões da idade olhava diretamente em seus olhos. (Ah, sim! E você sabe bem que só se olha nos olhos de outra pessoa direta e indiscutivelmente, quando se está postado diante do espelho). Seus lábios trêmulos, intumescidos, fora de foco murmuravam palavras de descrença e repulsão, enquanto você afastava-se um centímetro para cada fio branco que lhe acontecia.</p>
<p style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">O telefone tocou e você foi atrás do que deveria ser a voz do seu marido a uns dois quilômetros dali, voltando com Asterix da caminhada matutina.</p>
<p style="text-align:justify;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">A Secretária eletrônica, mulher bela de voz morna que fora a mesma, sem perder amigos e filhos para&#8230; Bem, para a vida, durante 17 anos, comunica:</p>
<p style="text-align:justify;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">Mamãe, não volto hoje para o almoço. Vou ver se consigo o visto ainda essa tarde, mas não conte comigo até pelo menos as dezenove horas. Beijo. Te amo mamãe.</p>
<p style="text-align:justify;"><em>Senhor dia-após-dia,</em></p>
<p style="text-align:justify;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;"><em>Rômulo e Remo não ficam mais em casa.  Os dois têm namoradas que ainda não me foram apresentadas direito e isso me preocupa. Vi a do Reminho uma vez, saindo com ele daqui de casa para o Show do Arrigo Barnabé, mas a do Rô foi só dentro do carro em movimento. Ah, sim, senhor. O Carro. Céus não consigo acreditar que já dirigem. O pior é que quase acredito que isso virou nosso muro. Não me visitam mais e eu, eu já estou ficando maluca com isso. E o pior é que o Hilton apenas continua lendo aquele maldito jornal, me mandando ficar calma, mas eu não posso ficar calma! </em><br />
<em>Certo, certo. Talvez não seja preciso esse escândalo, mas quando lembro do dia em que Hilton achou que seria uma boa idéia deixar o cômodo livre da casa nova para guardar os jornais velhos tenho que lembrar dos meus pequenos apostando corrida de velotrol, Deus, eram tão meus&#8230; Não consigo entender mais nada. Mas agora, talvez nesse instante, não consigo também engolir aquela pilha de papel contendo cada dia da vida que aconteceu fora da minha casa gravada à tinta plúmbea (Maldita, Maldita!) e (Por favor, não me faça ter que tentar, não me deixe pensar em tentar)  não posso digerir um acidente de carro, céus! Não consigo limpar minhas mãos sujas da terra que joguei sobre o caixão do meu pequeno Remo. Falho em tudo, tudo.</em><strong> </strong></p>
<p style="text-align:justify;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">
<p><strong>(É a idade, homem, é a idade.)</strong></p>
<p style="text-align:justify;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">
<p style="text-align:justify;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">Senhores de Roma, que ergueram a eternidade da civilização e ousaram estender o arco do domínio pelos três cantos do velho mundo. Homens que me dominaram à lã, a chumbo e a números. Costuraram seus exércitos pelas vísceras circulares da mãe terra e colocaram sob seus anulares a imortalidade das eras.</p>
<p style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">Mas mesmo esse passar dos dias, infreavel como os anéis que me circundam, é abastecido por transformações. E é a mesma solidez dos blocos de gelo eterno quais giram indefinidamente sobre aquele ponto do universo que penetra pelas suas pré-potências, pelos seus equívocos, pelas suas negligências minando-a com o imprevisível. Então tudo mingua num lento e glorioso fim, quando o <em>gigante se deita para a eternidade inviolável</em> e deixa que outros disputem o seu patamar e recriem a certeza fútil de que o sol da grandiosidade surge no leste todas as manhãs.</p>
<p style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">É isso que lhes tenho a dizer. Sou o pai e não deixo que meus filhos escapem da corda bamba que existe na altura dos meus três olhos.</p>
<p style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">
<p>Passado, para os garotos que fogem de casa numa noite escura e desenterram o cachorro lacrado pela terra da semana passada na esperança de que ele ainda irradie o brilho de velhos presentes.</p>
<p>Presente, para os homens que entendem que a sabedoria não é concedida a quem tem todas as respostas e sim a quem aprende a viver sem elas.</p>
<p>Futuro, aos velhos que viveram o passado e dele, entre várias outras somas, extraíram a segurança para enfrentar o fim e a certeza clórica de que os parasitas que se incubam no seu interior, no interior daquele seu velho cachorro de infância escoltam a vida que existe dentro da morte e a resposta cuja pergunta eles nunca quiseram calar por completo:</p>
<p style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;"><strong>O que reconecta o fim ao início?</strong></p>
<p style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;"><em>Moro na casa onde sempre morei. Sou o homem que não perde amigos e não perde parentes. </em></p>
<p style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;"><em>Sou o homem que engole a todos. </em></p>
<p style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;"><em>Sou o homem que transforma 10 minutos em uma hora, antes que a cirurgia acabe.</em></p>
<p style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;"><em>Sou o homem que transforma uma hora em 10 minutos quando ele e ela se olham com todos os  olhos do corpo.</em></p>
<p style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;"><em>Sou um andarilho insano sobre os anéis de Saturno.</em></p>
<p style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;"><em>Meu nome é Tempo.</em></p>
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		<title>Abatedouro</title>
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		<pubDate>Sun, 02 Nov 2008 23:30:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gabriel Castilho Gil</dc:creator>
				<category><![CDATA[Acusmas]]></category>

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		<description><![CDATA[- Quem é o Maníaco?
- Quem será o Maníaco&#8230;?

Perguntas ficaram fedendo.
 
- Vamos nos apressando. Vamos nos apressando, pessoal! O Rafa vai embora e temos que nos preparar para a despedida que o pessoal estava programando.
- Meu chapa! Presta atenção no que aconteceu! Não tem como ter cerimônia nenhuma agora, nessa situação!!
- O Rafa vai embora, [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=bieldeadline.wordpress.com&blog=4092303&post=94&subd=bieldeadline&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>- Quem é o Maníaco?</p>
<p style="text-align:justify;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">- Quem será o Maníaco&#8230;?</p>
<p style="text-align:justify;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">
<p style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">Perguntas ficaram fedendo.</p>
<p style="text-align:justify;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;"> </p>
<p style="text-align:justify;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">- Vamos nos apressando. Vamos nos apressando, pessoal! O Rafa vai embora e temos que nos preparar para a despedida que o pessoal estava programando.</p>
<p style="text-align:justify;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">- Meu chapa! Presta atenção no que aconteceu! Não tem como ter cerimônia nenhuma agora, nessa <em>situação</em>!!</p>
<p style="text-align:justify;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">- O Rafa vai embora, apesar de <em>tudo</em>. É a despedida dele, por pior que seja essa que sofremos. Ponto final; não compliquem&#8230;</p>
<p style="text-align:justify;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">Meio mal-humorados com a insensibilidade do garoto-piada, foram-se todos para o hall da escola.</p>
<p style="text-align:justify;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">
<p style="text-align:justify;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">Tudo aquilo começou dois dias antes.</p>
<p style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">
<p style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">Alb é meu nome e eu sou um dos que ficou. Na verdade não foram muitos que nos deixaram, mas o choque que sofremos não vai parar de cutucar tão cedo.</p>
<p style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">Foi com a idéia fraca de visitarmos aquele lugar com cheiro de xixi. Não devíamos ter feito aquilo. Não devíamos mesmo. Milou era vegetariano e Lapa comia de tudo. Áuria e Crania também eram, mas a persuasão caminhou toda da boca de Milou. Acho que ele queria nos chocar com o que veríamos, mesmo ele nunca tendo visto tudo aquilo. Quando abrimos alguns bichos na aula de biologia ele mesmo não viu nada. Não quis ver. Disse que era crueldade e era mesmo.</p>
<p style="text-align:justify;text-indent:35.45pt;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">Mas eu, Alb, fiquei surpreso quando ele pediu pra que fôssemos até o lugar. Fiquei surpreso, digo, surpreso do meu jeito&#8230; Meio abobado, olhando pra cara do homem com a boca aberta balançando a cabeça de um lado para o outro, mas depois incorporava o espírito. Sempre incorporo!</p>
<p style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">O que me deixou mesmo estupefato (Adoro tanto essa palavra) foi o fato dos outros aceitarem o convite (isso já bagunça minha mente toda! Milou propõe uma coisa dessas! Uma coisa dessas, meu chapa! E ainda por cima os outros aceitam&#8230;) Pois bem, todos aceitaram pra valer. Tinindo de ânimo, aquele bando de meninos e meninas que achavam a palavra “odeio” forte demais para ser usada em qualquer frase, ou que ouviam falar de morte e completavam: Credo gente! Aquele pessoal que eu amo pra chuchu, mas fresco até pescar baleia. Todos aceitaram ir pelo caminho mais curto.</p>
<p style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">Não sei como chegamos lá, não sei se fomos com algum maioral, algum manda-chuva, saca? Mas fomos daquele nosso jeito descontraído e só não depravado por causa das pequenas meninas-mulher.</p>
<p style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">E eu queria a Áuria. Queria a todo custo, gostava do jeito calmo dela pra falar qualquer coisa&#8230; Não falava muito. Parecia medir o número certo de palavras pra usar e sempre completava o sentido de qualquer frase com umas rodadinhas com aquela mão minúscula dela. Caminhava toda bonitinha junto com as outras amigas. Ela e a amigona Gala eram as menorzinhas. Mas enfim, ela estava perdida na primeira mancada que desse&#8230; O lugar era estranho e não tinha absolutamente nada a ver com ela. Mas pra tê-la ali, eu seria capaz de tudo, meu caro&#8230; Mataria! Mataria pra valer, talvez. Pegaria um machado de um ou dois gumes (tanto faz, ora) e acertaria bem no&#8230;</p>
<p style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">
<p style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">
<p style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">PRIMEIRA LEVA!!!!</p>
<p style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">
<p style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">
<p style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">Tudo de repente começou a piscar em vermelho, como se uma emergência estivesse ocorrendo. Uma sirene bem subtil soou assustadora. Foi só ali que eu reparei no lugar. Era tudo! Tudo forrado de azulejos brancos: Parede, teto, e piso. Quando a luz vermelha apagava, eu podia perceber nitidamente que o lugar era velho, muito velho e era a céu aberto, não sei como (O pior é que não sei mesmo! Mas podia apostar que os azulejos cobriam o teto). Não tenho certeza se alguém emitiu aquela alerta berrada ou se fui eu quem a imaginou. Lembro que quis perguntar o que poderia ser aquilo, mas tinha de ser pra Milou. Pra ser sincero, tive um bocado de medo daquele lugar desde que entrei lá. Milou desde o início fora o cabeça daquela expedição e, por isso, queria saber o que ele pensava disso tudo. Por ventura, creio que naquele momento eu estava sozinho em um determinado ponto daquele lugar. Estava sozinho e o pior é que eu tinha certeza de que isso era a coisa mais natural do mundo. Mais natural do mundo!</p>
<p style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">Já excursionou com amigos, não?</p>
<p style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">Sabe que se você é mais velho, sempre tem aquele momento em que cada um vai pra um canto&#8230; Acha alguma coisa interessante pra bisbilhotar&#8230;</p>
<p style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">Mas eu não achava nada interessante ali. Mas era como se eu já conhecesse tudo ali. A sirene e as luzes continuavam apesar de enfraquecerem aos poucos e eu começava a sentir um cheiro estranho, um cheiro forte de carne.</p>
<p style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">O ponto em que eu estava era um imenso pátio de azulejos com algumas nivelações e degraus de azulejo também que davam para um segundo andar&#8230; uma plataforma na verdade, pois não havia paredes. Com o esvair da alerta agora eu observava um céu bem nublado lá em cima&#8230; Certamente não havia azulejos no céu.</p>
<p style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">Uma vez nós abrimos um coração de boi na aula de ciências. Se tem uma coisa de que me lembro dessa ocasião era o cheiro da carne que começava a envelhecer. Conseguia notar perfeitamente a transição do cheiro de mijo, Amônia, ou sei lá o nome que eles dão pra essa merda, para um cheiro de carne velha. Olhava ao meu redor e não via nada.</p>
<p style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">Estava começando a ficar nervoso. Sentia que ia aparecer sangue daqui a pouco. Jesus! era um abatedouro esse lugar em que estávamos&#8230;</p>
<p style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">Ninguém estava no mesmo pátio azulejado que eu. Havia outras comunicações com outras alas desse lugar maldito, mas do ponto em que estava parado olhando pra todos os pequenos becos, não podia ver ninguém (estava tudo sob controle&#8230; De vez em quando uma voz irradiava e a certeza de que havia gente por ali era sólida como um muro).</p>
<p style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">A carne ia aparecer em algum instante. Caramba. Carne é algo saboroso, mas não queria ver um boi sendo morto. Não queria mesmo! Não queria que cortassem sua garganta na minha frente, que o carneassem diante dos meus olhos. Imaginava que aqueles becozinhos espalhados pela ala acomodariam um abatedor carregando os seus 60 quilos padrões para divisão de peças Ele aparecia a qualquer instante.</p>
<p style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">Como Crania e Áuria lidariam como o sangue e como estavam lidando com o cheiro só Deus sabe. Também não queria vê-las mal. Principalmente Áuria. Quando a melancolia e a tensão de estar sozinho naquele lugar me venceram, caminhei cuidadosamente até os degraus azulejados.</p>
<p style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">Eu ia subindo cada patamar com dificuldade e o próximo não falhava de jeito maneira em ser mais difícil ainda de ser escalado. Em alguns eu só conseguia transpor meio deitado e isso era o pior que podia acontecer. Quando me levantava suado eu reforçava mais e mais a impressão de estar fugindo de algo, de alguém&#8230; O cheiro acentuava-se à media que alcançava a plataforma. Tinha medo de olhar para trás e ver aquele sangue embebendo miúdos, tripas e ter que misturar o cheiro que eu já sentia a esse composto.</p>
<p style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">Em algum momento acho que falhei. Olhei para trás mecanicamente, apenas observando todo o progresso estúpido que fiz; Não era só mais alto do que eu tinha subido&#8230; Minha visão fisgou os justos pontos que temi serem os pontos sangrentos daquela ala.<span> </span>Havia muita coisa esparramada num cantinho, como fruto de um serviço já realizado, mas o sangue era o que mais espantava&#8230; Céus, ele não era como nos filmes em que ele possui um percurso curvilíneo, com se tivesse simplesmente escorrido. Ele parecia ter sido jorrado contra o chão, como se tivesse sido vomitado violentamente por alguém. Arrepiei-me todo; Por fim aqueles azulejos brancos&#8230; (por que Brancos? Por que Brancos?). Faziam o sangue parecer obra de um controle preciso. Como se escoasse o quanto desejassem e até quanto permitissem. Aquilo me deixava louco! Tudo era branco e perfeitamente simétrico, porém o sangue e a morte se ejetavam do nada como a loucura em uma solitária em uso.</p>
<p style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">Em algum instante não agüentei e olhei pra cima. Um intervalo naquele brilho branco e vermelho. Um intervalo cinza&#8230; Deus, como eu queria odiar esse dia!</p>
<p style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">E comecei uma caminhada interminável sobre o patamar que interligava com mais rapidez cada uma das alas que cobriam o horizonte. O alcance da sua visão enjoada e bromosensível à carne ocasionalmente espalhada por alguns lugares&#8230;</p>
<p style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">A coisa mais estranha que me aconteceu nítida em memória foi o fato de eu ter sido o único a usar aquele diabo de plataforma no segundo andar. Eu ouvia um ou outro correndo, mas quando procurava com os olhos tudo que restava era uma perna atravessando uma curva.</p>
<p style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">De um lado a outro eu notava a melancolia se reproduzir loucamente, dominando-me cautelosamente. Sentei-me umas duas vezes com as pernas balançando sobre o degrau para espera alguém aparecer completamente e me dar um toque de como estava achando aquele recinto macabro, bizarro e outras dezenas de adjetivos indesejáveis e que seria uma idéia batuta dar o fora desse pandemônio de imagens indesejáveis. Bom, ninguém chegou.</p>
<p style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">
<p style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">Queria realmente saber onde esse pessoal havia se metido.<span> </span>No instante em que quase me dei ao luxo de um disparate eu poderia descer aquilo tudo num salto e começar a correr atrás do pessoal maldito que corria como um bando de animais fugindo de um predador. Seria capaz de pegar um machado, um arpão, uma pistola de ar, ou o que fosse para fazer alguém parar 10 segundos que fosse e olhar na minha cara.</p>
<p style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">Uma machadada e tudo certo! Bingo!</p>
<p style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">
<p style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">
<p style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">SEGUNDA LEVA!!!</p>
<p style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">
<p style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">
<p style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">A sirene rasgou o silêncio de novo e a luz vermelha a acompanhou, mas dessa vez não durou nem dez segundos.</p>
<p style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">Mas eu preferia ver o vermelho das lâmpadas, do que os jorros vermelhos emanados de encanações (senhor, como eu não percebi esses canos!?). O sangue abundante alagava todas as alas como uma gigantesca inundação. O cheiro agora era funestamente inevitável. Era como presenciar um incêndio diferente&#8230; A frieza morta do que produzira tudo aquilo, mas ao mesmo tempo o calor dos últimos fiapos de vida. Sangue ainda coalhado de oxigênio. Vívido. Voltei a disparar pela plataforma. Não queria ficar ali e ver coisas piores surgirem.</p>
<p style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">Mas aonde quer que meus pés me levavam o vermelho dançava diante do meu desespero. Apenas eu usava aquela plataforma&#8230; Eu ouvia cascos batendo contra o chão respingando sangue para todos os lados&#8230; Perseguia os rastros temerosamente e me deparava com mais silhuetas humanas. Silhuetas dos meus colegas serelepes que pareciam não entender que tinham as calças saturadas de vermelho e morte!</p>
<p style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">Duas alas.</p>
<p style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">Bom. Sempre se pode pensar que o palco de tudo gira em torna de você.</p>
<p style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">Seis alas.</p>
<p style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">“Mera eventualidade, mera eventualidade, meu campeão. Os olhos curiosos da juventude se encantam veementemente com as infinitas possibilidades de exploração&#8230;”</p>
<p style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">Onze alas.</p>
<p style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">“Ou talvez você estivesse procurando no lugar errado durante todo esse tempo&#8230; Tentar ver as coisas por cima, afinal de contas, só foi uma boa estratégia enquanto seu professor martelava o erro&#8230;”</p>
<p style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">dezenove alas.</p>
<p style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">Lá. Limpo. Leucosamente triste, porém singular. Um intervalo no meio do vermelho. Dessa vez um intervalo de total fuga. É claro que eu entrei nessa maldita ala.</p>
<p style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">Bom. Minha garota estava lá. Meu deus, eu não acreditei mesmo. Ela estava lá de costas pra mim e conversava com a sua amiga Gala e com dois outros colegas que nunca aprendi o nome. Juro que cheguei bem de fininho, indeciso quanto ao alívio ou a boa oportunidade. Eu a toquei e todos os outros sumiram dali. Desequilibraram-se das cadeiras onde estavam sentados e saíram os três correndo dali. Ela continuou parada de costas pra mim, como se estivesse esperando.</p>
<p style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">Meu rapaz, eu encostei meu nariz no pescoço dela no exato instante que a abracei pelos quadris e senti que ela teve um pequeno sobressalto (e sorri para mim mesmo). Ela inclinou o pescoço e eu apertei com mais firmeza&#8230;</p>
<p style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">Ei boneca, me diz o quê que ta acontecendo com o pessoal&#8230;</p>
<p style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">- Oi?</p>
<p style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">- Quê que esta acontecendo?</p>
<p style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">- O que ta acontecendo, Alb, é bem simples.</p>
<p style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">Ela se virou para mim com uma cara de surpresa e começou a falar:</p>
<p style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">- Bom, cara. Você fala muito baixo! Tem que falar mais alto e tem que falar coisas mais interessantes também! Estou sempre sentada no meu canto quando você aparece e&#8230; Poxa! Ah, mas como eu sou boazinha&#8230; Fico lá no meu canto mesmo depois de te ver aparecer, andando desse seu jeito estranho. Deixo de lado toda a preguiça que todo mundo tem de você só pra simpaticamente ouvir toda a mesmice que você vem falar no meu ouvido! Alb, você tem que ser mais interessante e&#8230;</p>
<p style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">Eu não esperava ouvir tudo aquilo, mas acima de tudo não esperava ouvir da forma que ouvi. Não sei como não fiquei mal na hora pelo que ouvi, mas&#8230; Ela babava enquanto falava e fazia aquela voz fingida como se caçoasse de mim, não liguei para o que ela disse, mas aí ela começou a me rodear enquanto falava babando toscamente&#8230; Nesse instante não tive como evitar nervosismo e segurei firme alguma coisa que tinha pegado sem perceber com a mão esquerda só para ficar me distraindo enquanto andava lá em cima.</p>
<p style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">Caramba, eu tive que fechar os olhos&#8230;</p>
<p style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">Ouvi dois mugidos.</p>
<p style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">Quando abri de novo os olhos ela não estava mais do meu lado. Graças a deus. Não queria ter que encará-la de frente de novo. Não conseguiria.</p>
<p style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">Mas agora havia sangue até meu tornozelo. Perdi meu olfato! Por algum santo motivo fodido não conseguia sentir o cheiro daquele lago vermelho que cobria meus malditos pés e dei graças a deus por não conseguir.</p>
<p style="text-align:justify;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">Foi naquele momento que tive medo de não haver saída para aquilo. Não tinha mais como subir de volta. Estava tudo malditamente emplastrado de sangue, como se ele tivesse caída dos céus e respingado em cada lajota de azulejo. Nos últimos degraus tinha carne morta e&#8230;</p>
<p style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">Carne morta e principalmente quente como o sangue que encostava na pele da minha perna. O sangue repugnantemente morno e vivo. Sangue de instantes atrás.</p>
<p style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">(Não vi nada! Estava de olhos fechados. Nada, nada! Senhor, obrigado por me poupado desse instante perdido odioso).</p>
<p style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">Aí eu corri.</p>
<p style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">Ainda não entendia como não tinha me abalado com o que ouvi. Na hora, naquela exata badalada que corria espalhando ondas escarlates de ala em ala o que me passava pela mente era apenas entender tudo aquilo&#8230; Antes mesmo de ir embora. Talvez fossem até a mesma coisa, mas a princípio eu queria compreender a armadilha que eu tinha me colocado.</p>
<p style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">E Foi no pátio em que percebi que já tinha perdido a contagem dos pátios há um bom tempo que eu vi. Aquela cena horrorosa!</p>
<p style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">Não consegui ver quem era quando me deparei com tal. Maldição! Não entendi coisa alguma. Era tentar ver o tempo passar pelo relógio&#8230; Eu olhava para aquela moça encharcada de sangue, gritando. Fora do meu foco todos corriam&#8230; Eu via a Gala, Áuria, via Otová tentando escalar para chegar à plataforma, via Milou&#8230; via Lapa também&#8230; Aliás, ver eu não via, por que eu só via Crania ensangüentada e gritando na minha frente, virada para os outros, mas sabia que eram eles que corriam de um lado para o outro. Quando eu tentava me concentrar no ambiente eu só os via saindo daquela ala. Via apenas seus pés e se prestasse um pouco mais de atenção eu não via nada. Aí voltava a me concentrar e eles voltavam a aparecer fora de foco.</p>
<p style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">Tive o ódio mais ígneo de toda a minha vida e olhei rubramente para Crania com o corpo inteiro molhado de sangue. Aí quando entendi o que ela gritava, corri antes mesmo dela terminar de falar aquela palavra com M</p>
<p style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;"> </p>
<p style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">GENTE FOGE DAQUI! O MANÍACO! VAI MATAR TODO MUNDO, CORRE, CORRE! ELE VAI CHEGAR, GENTE!</p>
<p style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">
<p style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">
<p style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">Eu não vi nenhum abatedor apesar de ter certeza de que eles estavam por ali fazendo seu trabalho sem ligar para as adversidades. Aquilo tinha bem a cara de Crania. Criar aquele escândalo pra chocar todo mundo. Trazer más memórias acerca da carne. Mas ainda assim eu saí correndo. Disparei dali desesperado.</p>
<p style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">Corria, escorregava e perdia o equilíbrio despencando naquela poça enorme. Levantava aflito e continuava a correr. Ala a Ala, sem coragem de olhar pra trás.</p>
<p style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">
<p style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">Mas foi aí que entrei em algum lugar diferente, foi quando as alas finalmente deram lugar a uma grande sala fechada e com iluminação fraca. O sangue ainda tangia a sola dos meus pés.</p>
<p style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">Dei dois passos firmes em frente e outro mugido irrompeu o silêncio frágil que eu tinha conseguido manter.</p>
<p style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">Eram bois&#8230; Não fazia sentido querer saber nada além de que se enfileiravam roboticamente pela sala em duto estreito que terminava num&#8230; Num&#8230;</p>
<p style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">Não sei bem o que era aquilo. Uma porta em forma de boca, só que&#8230; Poxa&#8230; Aquilo era burlesco&#8230; Todos sorriam e entravam com um passo humano na grande boca. Esperavam paciente e simpaticamente parados pela sua vez. Sorriam como o céu.</p>
<p style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">(a lâmpada piscando)</p>
<p style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">Mas por que eram tão bruscos naquele ultimo passo antes de cair na garganta do abatedouro era o meu mistério.</p>
<p style="text-align:justify;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">A luz fraca que piscava de vez em quando dizia que não havia retorno. Havia apenas uma gasosa parede escura no lugar por onde entrei.</p>
<p style="text-align:justify;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">(Mais um boi é engolido inteiro)</p>
<p style="text-align:justify;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">Me aproximei das cancelas daquele duto enorme e tentei entender uma ultima vez o que havia por trás daquele sorriso enigmaticamente assustador na cara de cada um dos (<span style="font-size:9pt;line-height:150%;">A LUZ PISCA</span>) garotos que&#8230;</p>
<p style="text-align:justify;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">
<p style="text-align:justify;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">
<p style="text-align:justify;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">TERCEIRA LEVA!!!</p>
<p style="text-align:justify;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">
<p style="text-align:justify;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">
<p style="text-align:justify;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">Vi.</p>
<p style="text-align:justify;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">Vi e então recomecei a correr à medida que o gritante alarme vermelho acelerava a fila indiana a projetando para dentro da boca mecânica que parecia dolorida depois de tanto tempo diante dos meus olhos.</p>
<p style="text-align:justify;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">Não ponho muita fé no que vi. Naquele minucioso lapso em que a luz piscou mais fortemente eu provavelmente já não estava presenciando cada momento irrisório que se sucedia na eternidade daquela sala.</p>
<p style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">Estava correndo. O Maníaco estava por perto, convenci-me. Burrice! Estupidez eminente que me deixou letárgico observando os&#8230;</p>
<p style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">Entrava por salas escuras, fazia curvas acentuadas como nós no espaço e ia me enfiando nas profundezas daquele lugar que há tempo já adquirira o cheiro vil da podridão.</p>
<p style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">Ainda sentia o sangue se espalhar com minhas pisadas cansadas e lentas.<span> </span>Nunca mais sairia dali.</p>
<p style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">Duvido que saísse.</p>
<p style="text-align:justify;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">Nunca me convenceria de que o mal se fora. Agora que chegara tão perto da morte&#8230; Percorrera distâncias a um passo de se misturar a todo o sangue&#8230;</p>
<p style="text-align:justify;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">Depois ninguém viria me avisar de que o homem se fora.<span> </span>Estavam todos&#8230; Acho que ri de mim tentando pronunciar essas palavras, mas era isso. Todos estavam de quatro numa merda de esteira se preparando pra virar picanha, maminha, alcatra e tudo quanto é porcaria pra alguém comer num churrasco de meninos de 14 anos que se acham gênios por colocarem as mãos numa garrafa de vodka.</p>
<p style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">Mas vou levando fé em continuar aqui até conseguir sair por mim mesmo.</p>
<p style="text-align:justify;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">E eu&#8230; Eu estava encolhido no meio de um círculo de vasos de pedra no meio de uma sala sofrendo com os malditos ecos. Minha ultima queda, dessa vez sem segundo turno. Não havia mais lugar algum para ir. Não havia mais lugar para se chegar. Não havia mais lugar a partir do exato instante que me levantei sem conseguir entender com chegara ali. Fiquei</p>
<p style="text-align:justify;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">Eu levantei-me arrepiado e fui até o brilho fluorescente do interruptor de luz daquela salinha. Espremi-o com calma. PÁ.</p>
<p style="text-align:justify;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;"> </p>
<p style="text-align:justify;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">Muito bem.</p>
<p style="text-align:justify;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">
<p style="text-align:justify;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">Não vou ficar embromando. Chega de fingir a surpresa que sinceramente não senti em cada um dos momentos que falei.</p>
<p style="text-align:justify;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">Não quero, na verdade, é parecer muito perturbado pelo que conto&#8230; O que aconteceu, não aconteceu rápido e de forma tão confusa assim. Na verdade foi monótono e melancólico. Até os gritos de Crania tiveram tempo de ecoar. Apenas, por favor, não leve a mal e não me chame de egoísta quando pergunto por que eu era a única coisa no abatedouro inteiro que não me sujava com o sangue.</p>
<p style="text-align:justify;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;"> </p>
<p style="text-align:justify;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">
<p style="text-align:justify;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">
<p style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">Chega. Estou aprendendo a contar histórias.</p>
<p style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">Tudo que vocês precisam muito de saber antes de eu me deitar e sossegar-me é que 48 horas depois as coisas já tinham voltado completamente ao normal.</p>
<p style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">Quando me toquei, eu já estava sentado no gramado da escola e&#8230;</p>
<p style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">
<p style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">- Alb, Milou e Lapa estão em paz agora&#8230;</p>
<p style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">- É, eu soube.</p>
<p style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">- Soube?</p>
<p style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">- Sim, sim. Uma sacanagem, mesmo, não entendi&#8230;</p>
<p style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">- Não sabem quem matou os dois. Está sendo horrível estar aqui hoje, mas parece que o Rafa vai embora hoje mesmo, não sei como é o esquema, mas eu vou ficar até o fim.</p>
<p style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">- Ei, eu não queria ficar falando sobre isso&#8230; Escuta, vou dar um rolé.</p>
<p style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">- Desculpa, desculpa, Alb! (sorria)</p>
<p style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">- Não, não esquenta. Só não quero ter que ficar pensando nisso.</p>
<p style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">Acho que o meu ultimo erro antes da despedida do rafa que coincidiu com aquele dia macabro foi ter ido atrás dela. Bati na tecla.</p>
<p style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">Achei que poderia enfrentar minha garota nos olhos de novo e realmente pude.<span> </span>.Áuria estava sorrindo do lado de Crania, que também sorria. Mas era o sorriso de Áuria que eu queria pra mim. E sorri pra ela também. Sorri com a alma pra ela e ela alargou o sorriso.</p>
<p style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">Ela e o resto das pessoas do meu mundo&#8230; Todos sorrindo como o céu.</p>
<p style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">Foi então que fui puxado para a grande fila que escoltava Rafa pelo corredor. O garoto-piada segurando a vela como um assecla enquanto conduzia a multidão. Muitos comiam uma espécie de pão recheado. Todo mundo, sempre existiu esse esquema de alguns perguntarem o recheio do que era servido e quase nunca comerem após a resposta.</p>
<p style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">Só que dessa vez ninguém perguntou nada. Simplesmente foram pegando os pães recheados de carne no vaso de pedra e mandando para dentro.</p>
<p style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">
<p style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">Em seguida, foi o Rafa que apontou-me com suas mãozinhas tortas. Acho que a multidão me levantou e começou a me jogar para cima enquanto outros apenas comiam vigorosa e violentamente aquele pão, o levantam deixando sem querer seu recheio cair algumas vezes. E foi isso.</p>
<p style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">
<p style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">As vezes penso que seria ótimo se todos os meus problemas, dúvidas e necessidades virassem recheio de carne para pão.</p>
<p style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">
<p style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;">Certamente algumas perguntas ficaram fedendo, repito.</p>
<p style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;line-height:150%;margin:0 0 .0001pt;"><strong></strong></p>
  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/bieldeadline.wordpress.com/94/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/bieldeadline.wordpress.com/94/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/bieldeadline.wordpress.com/94/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/bieldeadline.wordpress.com/94/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/bieldeadline.wordpress.com/94/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/bieldeadline.wordpress.com/94/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/bieldeadline.wordpress.com/94/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/bieldeadline.wordpress.com/94/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/bieldeadline.wordpress.com/94/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/bieldeadline.wordpress.com/94/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=bieldeadline.wordpress.com&blog=4092303&post=94&subd=bieldeadline&ref=&feed=1" /></div>]]></content:encoded>
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	</item>
		<item>
		<title>O Fôlego de Marte</title>
		<link>http://bieldeadline.wordpress.com/2008/09/22/o-folego-de-marte/</link>
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		<pubDate>Mon, 22 Sep 2008 04:53:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gabriel Castilho Gil</dc:creator>
				<category><![CDATA[Acusmas]]></category>
		<category><![CDATA[Devaneios]]></category>

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		<description><![CDATA[inspira…
(*  *  *
I Ato
Cada passo bem marcado até o início de um pesadelo é como sentir o hálito ígneo da fera que adormece plenamente, porém sem adormecer a imponência que a produz.
Os homens conseguem enxergar um no outro o próprio medo flacidamente travestido de rigidez uniforme pela expressão neutra. Alguns deixam mulher, filhos, parentes queridos, [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=bieldeadline.wordpress.com&blog=4092303&post=60&subd=bieldeadline&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p><!--[if gte mso 9]&gt;  Normal 0 21   false false false        MicrosoftInternetExplorer4  &lt;![endif]--><!--[if gte mso 9]&gt;   &lt;![endif]--><!--[if !mso]&gt;-->inspira…</p>
<p style="text-align:center;" align="center">(*  *  *</p>
<p style="text-align:center;" align="center">I Ato</p>
<p>Cada passo bem marcado até o início de um pesadelo é como sentir o hálito ígneo da fera que adormece plenamente, porém sem adormecer a imponência que a produz.</p>
<p>Os homens conseguem enxergar um no outro o próprio medo flacidamente travestido de rigidez uniforme pela expressão neutra. Alguns deixam mulher, filhos, parentes queridos, muitos ou poucos amigos, planos, saudades, outras dores e outros medos, sensações vividas e lembranças. Sempre muitas lembranças. Alguns caminham ao lado de amigos. Caminham ao lado de bons amigos com a mesma indiferença inerte dos poucos segundos que antecederam o seu primeiro contato.</p>
<p>No dia em que acorda, a manhã nublada e o estranho sentido que o primeiro instante do despertar ganha, torna tudo já vivido, conhecido ou caído em rotina, novo. A água tem o gosto substancial que a sede de um dia quente a remete. Cada batata partida parece liberar um suave e delicado vapor colorido de eventualidade… Aquela mesma surpresa subtil de se encontrar um trevo de quatro folhas. Os Cabelos da mulher têm um brilho formoso, a expressão de seu rosto volatiliza de uma vez todas as fascinações vividas desde o primeiro instante em que estiveram juntos. A cidade parece nunca ter sido tão pitoresca. Todos compartilham a amenidade inquestionável mesmo ja compartilhando a áspera tensão desde que a califonia natural do dia-a-dia começou a murchar.</p>
<p>Cada mau bom homem acorda e vê seus comuns definhando diante do invólucro insignificante de algo muito mais funesto. Fitam em pranto tristes olhares embarcando e se perguntam se algo mais seria capaz de replementar o sofrimento</p>
<p>Nas terras estranhas em que chegam, a angústia se mistura aos simulacros de crueldade, à confiança forjada e principalmente o medo.</p>
<p>Alguns exalam bom humor, repetem frases de segurança e se mostram estar ali como simples e temporários arredios. Desatado da rotina por alguns poucos dias. Mas no âmago de todos jaz a certeza de que a Terra agora parece um animal trasmalhado do resto do universo e enquanto se dirigem ao cerco mal notam as calmas notas da melodia do existir transformarem-se numa sinfonia do inferno.</p>
<p style="text-align:center;" align="center">*   *   *</p>
<p style="text-align:center;" align="center">II Ato</p>
<p>De repente nada mais parece funcionar da forma a que se está acostumado. A fome, as pestes e a morte parecem mais compreensíveis do que o alívio, a coragem e a esperança. Pela primeira vez em sua vida, cada homem consegue projetar sua determinação em algo que não acredita. Mantem compostura e firmeza em cada situação que além de não querendo entrar ainda acaba encontrando obstáculos intransponíveis.</p>
<p>O imutável destino da caminhada rítmica eleva tons cromáticos na escala desastrosa em que todos os caminhantes se esforçam para harmonizar. Os participantes ocultam seus olhos, fingem ter almas opacas para aqueles que os manobram e gastam o resto de sua energia mental em carregar uma ira artificial e um pavio para detoná-la.</p>
<p>E atingem então aquele compasso mais robótico na música. Cada um com uma fúria criada ao seu estilo, esquece-se instantaneamente do coletivismo impresso em tinta barata e tornam a composição de sua fúria a marca máxima de sua presença individual.</p>
<p>Naquele lapso imensurável conseguem em uma realização única na vida mesclar uniformente a existência psicológica com a existência real. As fúrias em ritmos alternados, contrapontuadas por ambos os lados se chocam violentamente numa dissonância afônica. O campo extenso de terra marrom clara e seca que atiça o desespero encasulado dos homens temedores da solidão de ermas terras é o que mais perto chega de convencer o pandemônio sincopado de explosões, rajadas e estrondos a revolver-se ao apático adágio que as sombras de marte engendraram sobre suas almas até aquele instante.</p>
<p style="text-align:center;" align="center">*  *  *</p>
<p style="text-align:center;" align="center">III Ato</p>
<p>Tudo indica que o clímax de tudo aquilo há de chegar em  breve. Só há vazio em cada torrente de atos que se propulsiona dos iracundos homens-dos-dois-lados. A palidez do céu  vai se tornando sombria como um primeiro sinal de tempestade e os raios tangem a terra sem que os homens julguem os deuses quanto ao lado que tentam ajudar. Trovões marcam o pulso veloz  daquela mesma música tenebrosa. O medo que um dia se espalhou de rumores, de conspirações e segredos impregnados em xícaras de chá que transbordam em seus pires, o medo que se movia como um vapor venenoso que vaza de um barril que se rompeu… Esse medo agora saía dos buracos dolorosos no corpo daqueles que caíam inconscientes no campo de batalha, Adormecia nas lacunas do tambor de armas bem usadas ou nos grãos de salitre que penetravam a carne fraca e assustada de um homem. O Desespero se instalava na troca de ar rápida fria entre os que gritavam correndo de um lado a outro e aqueles que ainda conseguiam segurar uma arma.</p>
<p>E o clímax, mal situado por silêncios que até então nunca apareceram, chega repentinamente, sem ensaios junto com a chuva extrema. O temor não deitara. Com os olhares cautelosos eles caminham trôpegos de um lado a outro procurando um norte… Os que restavam percebiam aos poucos que as explosões ja não mais ocorriam, que os disparos não mais cortavam o ar e que os berros, o choro afobado e a troca infrutífera de informações bradadas ja não eram tão palpáveis.</p>
<p>Os corpos coalhavam a terra enlameada sem cerimônia. Quase nunca mostravam rostos. Todos se deitaram como se executassem a expressão de rosto que ensaiaram durante todas as marcha. Alguns homens rondavam mancos chutando com delicadeza companheiros, à procura de um sinal de vida. Muitos choravam diante dos corpos daqueles que eram amigos. Muitos sentiam frio. Muitos sentiam dor. Todos sofriam.</p>
<p style="text-align:center;" align="center">*  *  *</p>
<p style="text-align:center;" align="center">IV ato</p>
<p>Mas em algum instante, sem que ninguém se preocupasse em registrar, a chuva parou. O Cansaço era carregado de um lado a outro, como um peso morto a muitos que ajudavam a enfileirar os corpos aliados e inimigos. Suas mentes circundavam um vazio denso que os colocava horas inteiras em posições estáticas.</p>
<p>Certo momento, alguém olhou para o céu.</p>
<p>As nuvens se moviam rápidas e amorficamente . A escuridão ia se dissolvendo em nuvens que se afastavam carregando um plácido brilho alvo. Então o sol vespertino surgiu e fez cada um dos homens olhar para o céu. Todos quase ao mesmo tempo perceberam que um brilho de aspecto novo transversava os extensos campos de marrom penetrante, escuro e úmido e iluminava os muitos corpos arrumados naquela interminável fileira. Cada homem vivo e ainda aturdido conseguiu encontrar no seu tempo o restante de força-de-vontade que precisava para reanimar a esperança há muito tempo morta. Esperança de voltar a arriscar uma melodia delicada e adagiosa cantada por vozes celestiais.</p>
<p>A Guerra acabou.</p>
<p>Mas pela dor e o choque que costurou cada homem de uma forma diferente à lembrança da guerra, a melodia só poderia ser cantada por aqueles homens que lutaram juntos e definharam diante do inevitável curso do fôlego de ares.</p>
<p style="text-align:center;" align="center"><span lang="EN-US">*  *  *</span></p>
<p><span lang="EN-US">…expira.</span></p>
<p style="text-align:center;" align="center"><strong><span lang="EN-US">*  *  *)</span></strong></p>
<p><strong><span lang="EN-US">Baseado na peça musical de David Gilmour, Nick Mason, Rick Wright e Roger Waters; </span></strong><em><strong><span lang="EN-US">A Saucerful of Secrets</span></strong></em></p>
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	</item>
		<item>
		<title>A lividez de nosso amor</title>
		<link>http://bieldeadline.wordpress.com/2008/09/10/a-lividez-de-nosso-amor/</link>
		<comments>http://bieldeadline.wordpress.com/2008/09/10/a-lividez-de-nosso-amor/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 10 Sep 2008 22:50:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gabriel Castilho Gil</dc:creator>
				<category><![CDATA[Acusmas]]></category>
		<category><![CDATA[Contos]]></category>

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		<description><![CDATA[Ela morreu numa quinta-feira. A causa da morte não virou assunto para ninguém. Quando ele acordou ao lado dela, àquela manhã, não houve mais assunto.

 “Acordou e a primeira coisa que apareceu-lhe aos olhos foi o pomposo relógio de parede marcando quase dez horas. Os passarinhos faziam algazarra lá fora e a manhã tinha quase [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=bieldeadline.wordpress.com&blog=4092303&post=52&subd=bieldeadline&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><!--[if gte mso 9]&gt;  Normal 0 21   false false false        MicrosoftInternetExplorer4  &lt;![endif]--><!--[if gte mso 9]&gt;   &lt;![endif]-->Ela morreu numa quinta-feira. A causa da morte não virou assunto para ninguém. Quando ele acordou ao lado dela, àquela manhã, não houve mais assunto.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;">
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><span> </span>“Acordou e a primeira coisa que apareceu-lhe aos olhos foi o pomposo relógio de parede marcando quase dez horas. Os passarinhos faziam algazarra lá fora e a manhã tinha quase cheiro de céu claro e sol forte.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;"><span> </span>Ergueu-se sentando na cama e fitou a mulher com curiosidade durante alguns segundos.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;"><span> </span>- Dormindo&#8230; – Concluiu num sorriso delicado; deitou-se novamente, dessa vez apoiando a cabeça sobre os braços. ”</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;">
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;">O relógio de parede foi, segundo ele, um presente completamente arrogante da mãe dela. Trouxera na sua última extravagante visita à filha. Escolheu o lugar do monumento com tanto descaso que extraiu dele o mais simpático “Aqui-não-é-a-sua-casa” que ele conseguiria produzir. Ela apaziguou a tensão entre a mãe e ele, mas o relógio continuou no lugar que a mãe escolheu.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;">
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;">“ Ele olhou para ela novamente e um arrepio quase prazeroso o envolveu. Uma das coisas que mais gostava nela era aquele sorrisinho que parecia persistir em se estampar em seu rosto, mesmo quando estava séria ou neutra.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;">Quando os dois brigavam e ele, por mágoa, ficava na varando onde ela não costumava ir, lembrava-se desse sorriso de canto de rosto. Sorriso que certamente fazia parte da feição dela o tempo todo.<span> </span>(Caramba!)</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;">Não sabia o que se passava com ele, mas uma torrente de bom humor envolvia cada milímetro do seu corpo e (Ora bolas&#8230;)&#8230; Era inevitável. Ele ia lá tentar fazer as pazes.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;">Ela tinha aquele sorriso naquele instante. Ele a abraçou e encostou a boca em sua nuca. Pegou-lhe a mão gelada e cobriu o resto do corpo imaginando que sentia frio. ”</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;">
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><span> </span>Conheceram-se há muitos outonos através de amigos. Ela o achava tímido e meio sem-graça, meio sem jeito&#8230; Ela também falava muito pouco e ele lembrava-se que até os 16 anos ela vivia ficando doente e quase nunca saia com eles, mas também se lembrava que ela tinha decorado de cabo-a-rabo o livro favorito dele “Anna Karenina”. E ficaram até tarde na pracinha do bairro, onde descobriram que eram vizinhos, trocando figurinhas e passagens do livro.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><span> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><span> </span>“Ele deu uma gargalhada silenciosa quando percebeu que só conseguia se lembrar desse tipo de coisa. Aninhou o nariz no cabelo dela e deu um beijo na sua nuca&#8230; Também meio fria.”<span> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><span> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><span> </span>Naquela época ela usava batom roxo sempre que eles se encontravam. Ele usava cabelo espetado, mas ela o convenceu a parar de usar, pois sempre que se encontravam mexia tanto nele que em questão de minutos a mão dela ficava cheia de gel e o cabelo dele bagunçado. Percebeu que, desde que começara a sair com ela, nunca mais conseguira deixar o cabelo em pé e por isso deixou-o crescer.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><span> </span>Eles saíam pra ir ao cinema no mínimo duas vezes por semana e ele gostava muito dessa rotina. Mas aí ela começou a levá-lo para ver filmes mudos da década de 20 num cinema bem antigo do centro da cidade. Do xadrez, com ela, ele aprendeu a gostar; do piano, como adorava música lenta, adorou que ela o ensinasse, mas nunca se afeiçoara a filmes preto-e-branco (Os mudos principalmente).</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><span> </span>Trocaram o rotineiro cinema por passeios longos. E sustentaram isso até ele entrar pra faculdade de ciências contábeis (Fato que ela nunca entendeu).</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><span> </span>Nessa época ele a ensinou a pescar e a convenceu a acampar pela primeira vez. Ela não mudou de idéia quanto a isso: Pescar era um saco! E esperneava quando ele propunha novamente. Mas acampar se tornou tudo. Foram várias vezes no ano que passaram a noite olhando para o céu dando nomes para as estrelas e tentando relembrar os nomes já dados.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;">
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><span> </span>“ Desde que meditara no relógio que ganhara da sogra, alguma coisa em segundo plano o incomodava, mas não conseguia encontrar uma definição para o que sentia.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><span> </span>De repente percebeu que o contato com ela era quase vazio. Abraçou-a com mais força e fechou os olhos. Duas lágrimas correram desimpedidas pelo rosto dele. ”</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;">
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><span> </span>Eles romperam e voltaram várias vezes com o que construíram juntos. Ele ficara meio sem-vergonha e ela ficara um pouco mais falante depois de ficarem tanto tempo unidos.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><span> </span>Ela era astróloga e ele trabalhava com cinema. Ele não tinha mais cabelo e batom roxo já não combinava mais com ela.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><span> </span>Depois da última vez que voltaram, ficaram juntos vinte anos, mas nunca se casaram oficialmente.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;">Os dois ainda se divertiam com trechos de “Anna Karenina”.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;">Um dia antes de ele estar abraçado a ela, perguntando-se por que ela estava tão fria, tinham feito amor&#8230; ali, onde estavam agora, ‘acordado e dormindo’.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;">Ela ofegava ao lado dele e o suor escorria pela sua pele clara. Ela virou-se para ele sorrindo e ele notou o s seus longos cabelos castanhos emaranhados, bagunçados e escorridos sobre o seu rosto. Ela tinha um ar bobo naquele momento que o fez rir.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;">Os dois riram durante vários instantes até que ela se deitou sobre ele simulando uma seriedade. ”</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;">
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;">“ – Sabe&#8230; Desde que ficamos juntos pela primeira vez, há&#8230; bom, faz muito tempo não é&#8230;? bem&#8230; eu.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;"><span> </span>- Diz&#8230; – E ela mordeu os lábios e olhou pro lado.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;"><span> </span>- Eu não sou mais jovem há um bocado de tempo e&#8230; hum&#8230;. você também não, é claro – Os dois sorriram. – E tampouco estou na fase mais jovial, energética e, de certa forma, harmoniosa da minha vida. (Ele sentiu um entorpecimento sutil fluir em cada ponto onde a pele nua dela tocava a dele.)<span> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;">Mas acho que pela primeira vez desde que nos conhecemos posso me apoiar na&#8230;</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;"><span> </span>(e sorriram juntos&#8230;)</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;">&#8230; na certeza de que poderia morrer agora, nesse instante de.. de tão feliz que estou e sou e&#8230; (As mesmas duas lágrimas quentes emergiram dos olhos dela)&#8230; e se as pessoas buscam um sentido maior para vida,<span> </span>elas&#8230; Bom, elas vão ficar muito desapontadas quando descobrirem que não é nada mais do que isso.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><span> </span>Ele a abraçou com força e as duas lágrimas que ela derramara já se confundiam sobre os rios que sua emoção não conseguia represar.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;">
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;">E aquela quarta-feira se foi com a noite. ”</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;">
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><span> </span>Ele segurou o pulso dela durante longos e estáticos minutos. O frio do corpo dela agora congelava a alma dele.</p>
<p class="MsoNormal"><span> </span>Ele deitou-se sobre ela calmamente e aproximou o seu rosto do dela. Encostou sua boca na testa dela e arrastou-a lentamente pela sua bochecha esquerda, pelo seu queixo, pelo seu pescoço.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;">
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;">(Chega.)</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;">
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><span> </span><span style="font-size:10pt;">não há vida aqui </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><span style="font-size:10pt;"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><span style="font-size:10pt;"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><span> </span>E o peso do que evitou pensar esmagou sua alma, vítrea. TRINCADA pelo toque vazio do corpo dela. Ele minguou. Encolheu-se. Apenas encolheu-se.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;">
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><span> </span>Levantou-se sobressaltado. (O quarto frio).</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;">
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><span> </span>Seus olhos, vermelhos mas sem lágrimas.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;">
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;">(A lividez estava em algum lugar por ali. Espalhada. Rastejava e buscava fôlego).</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;">
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><span> </span>O relógio parara em 10:15</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;">
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;">(O tempo morreu!)</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;">
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;">Fitou-a com ilusão, com os olhos enevoados e acariciou o seu seio esquerdo nu que estivera descoberto.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;">
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;">(O tempo é que morreu.)</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;">
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><span> </span><span> </span>- Sorriu.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;">
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><span> </span>(Para os dois).<span> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;"><span> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;">E ficou ali.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;">Não há nada que se suportar. A água flui viva, mas o tempo (MORTO! Está Morto! Morto!) transforma melancolia quente em vazio é com lágrimas criostáticas.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;">
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;">
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;">Partiram. (cobriu os dois com a lividez).</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;">
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;">(A flor murcha esmigalhou cada caco com um peso flácido)</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;">
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;">Foram juntos (Mas os pés dele ainda estavam descobertos. Cobriu-os).</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;">
<p class="MsoNormal" style="margin-left:141.6pt;">Pó e pó</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-left:141.6pt;text-indent:35.4pt;">
<p class="MsoNormal" style="text-indent:35.4pt;">O fim que eles queriam ter vivido era um filme sobre estrelas.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;"><span> </span></p>
<p><span style="font-size:12pt;font-family:&quot;"><span> </span><span> </span>V I D(A M O R)T E</span></p>
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	</item>
		<item>
		<title>O Pequeno habitante do meio da praça</title>
		<link>http://bieldeadline.wordpress.com/2008/09/07/o-pequeno-habitante-do-meio-da-praca/</link>
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		<pubDate>Sun, 07 Sep 2008 19:03:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gabriel Castilho Gil</dc:creator>
				<category><![CDATA[Acusmas]]></category>
		<category><![CDATA[Contos]]></category>

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		<description><![CDATA[
Não. Certamente ele não estava lá o tempo todo. A humanidade cria suas marionetes e espera, com equívoco, que elas só se mechem pelas mãos de quem guia. É o erro número 0? Possivelmente. Uma vez que ninguém gosta de ser tão cruelmente surpreendido, é preciso se habituar ao desejo das coisas de compartilhar comportamentos [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=bieldeadline.wordpress.com&blog=4092303&post=37&subd=bieldeadline&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p><!--[if gte mso 9]&gt;  Normal 0 21   false false false        MicrosoftInternetExplorer4  &lt;![endif]--><!--[if gte mso 9]&gt;   &lt;![endif]--><!--[if !mso]&gt;--></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:35.45pt;">Não. Certamente ele não estava lá o tempo todo. A humanidade cria suas marionetes e espera, com equívoco, que elas só se mechem pelas mãos de quem guia.<span> </span>É o erro número 0? Possivelmente. Uma vez que ninguém gosta de ser tão cruelmente surpreendido, é preciso se habituar ao desejo das coisas de compartilhar comportamentos conosco.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:35.45pt;">Em matéria de anões de jardim, era simpaticíssimo. Ninguém teria mínima repulsão ao deparar-se com o homenzinho de meio metro, grandes e esclarecidos olhos (A sólida experiência era certamente gravada em seu olhar, mas eram olhos surpresos também…) e um sorriso sincero. A barriguinha inchada acobertada pelo falso tecido azul e seu simplório chapéu pontudo laranja; eram seus adornos.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:35.45pt;">“Meta-lhe um belo chute e terá mais que certeza que é de boa firme cerâmica!”</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:35.45pt;">E era mesmo.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:35.45pt;">Era um pequeno homem de cerâmica criado por homens para se pensar que era só de cerâmica (e era mesmo). Mas ainda era um pequeno homem.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:35.45pt;">Era diversamente visto.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:35.45pt;">Nos dias de chuva as crianças que se deslocavam de carro com os pais se viravam a encará-lo pelo vidro traseiro perguntando-se quanto frio estaria sentindo.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:35.45pt;">Os adolescentes luxuriosos e egotistas que brotavam aos montes por aquele lugar passavam em seus carros nos mesmos dias e ocasionalmente encontravam os olhos com a silhueta do homúnculo pelos vidros laterais (Tal relação oferece uma questão aos enveredantes no estudo da duvidosa exatidão da racionalidade humana) E os jovens pensavam com certa ironia e uma mais exata aleatoriedade: “Caramba, como seria ruim estar lá fora num tempo desses” (Como aquele homem pequeno, ali no canto (?)). Talvez a alma do pequeno esforça-se em fazer a pedra a sorrir…</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:35.45pt;">Para os adultos era apenas a rocha simpática.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;">A praça era cercada por umas oito casas. Quase todas, talvez seis… Não. Certamente seis casas tinham varanda. Mas somente a Dra. Morton parecia usar a sua. Passava horas, sentada, corrigindo provas de seus alunos da faculdade. A cadeirinha de balanço pendulava durante intermináveis tardes enquanto Fátima tinha tremeliques de fúria com as respostas mais ignóbeis possíveis.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;">“Essa gente deve fazer psiquiatria só pra me sacanear. Definitivamente isso não é possível!”</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;">
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;"><span> </span>*<span> </span>*<span> </span>*</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;">
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;">Num “pós-prova” relativamente agitado a tarde virou noite e ela mal se deu conta disso. <span> </span>Tais notas decidiriam intensivamente aqueles que ficariam com ela mais um semestre. Não queria pegar embromações despercebidas e decidiu que corrigiria uma segunda vez a de alguns alunos de postura mais peralta para com a freqüência.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;">Ao lado estava a garrafa da sua cerveja favorita. Seu marido, legista e funcionário que não voltaria até as 3 da manhã, vivia perguntando se o álcool não tentaria trapacear ao lado da ganância de alguns alunos.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;">“Besteira! Quem fica tonto com 355 ml de cerveja?”</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;"><em>A questão em questão</em> exibia um prognóstico de um indivíduo que supostamente apresentava déficit de atenção.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;">Estava escuro com força a uma boa distância do alcance da luz que jazia bem em cima de sua cabeça. <span> </span>1, 2, 3, 4 metros e já não se via nem a calçada.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;">Mas as impressões sempre vagavam por aí…</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;">(… ritalina deve ser ministrada com dose de cafeína reduzida…)</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;"><span> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;">!</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;">
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;">O que foi isso?</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;">
<p class="MsoNormal" style="margin-left:35.4pt;text-align:justify;text-indent:35.4pt;">Nem percebeu na hora. Passou alguns instantes.<span> </span>– Caramba, eu gritei? – Gritou, mas alarmante mesmo foi conseguir ter notado alguma coisa se mexer naquele breu.<span> </span>– Diabos! Está escuro pra chuchu!</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-left:35.4pt;text-align:justify;text-indent:35.4pt;">
<p class="MsoNormal" style="margin-left:35.4pt;text-align:justify;text-indent:35.4pt;">Na certa foi um casal de namorados. Malditos sejam! E pra piorar o jardineiro esqueceu de ligar o poste. Isso não é direito… Precisava ter a segurança do que circulava por ali.</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-left:35.4pt;text-align:justify;text-indent:35.4pt;">Mas para dizer a verdade… O poste ligado não era grande coisa. Querosene era uma bela de uma porcaria. Uma chama tosca bruxuleava sem vida; Era como um vaga-lume amarelo da sua varanda. Capaz apenas de iluminar a si mesmo! É! Exatamente: Chegava a assustar, pois parecia flutuar sobre a escuridão, fixa, mas flutuante. Ninguém tinha a mínimia certeza se havia um poste ali.</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-left:35.4pt;text-align:justify;text-indent:35.4pt;">A praça também não chegava a ser uma graça durante o dia. “O jardineiro parecia meio desleixado (Desviou o olhar das letras miúdas de Röedel Fritz e encarou o nada-negro)… BEM DESLEIXADO! Se quer realmente que eu te diga”. Tinha um anão lá também. Ele sim era uma graça, mas não via sentido da beleza de um lugar estar concentrado todo numa figura como aquela.</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-left:35.4pt;text-align:justify;text-indent:35.4pt;">Ficava em baixo da árvore…</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-left:35.4pt;text-align:justify;text-indent:35.4pt;">
<p class="MsoNormal" style="margin-left:35.4pt;text-align:justify;text-indent:35.4pt;">(E os olhos cresceram com violência.)</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-left:35.4pt;text-align:justify;text-indent:35.4pt;">
<p class="MsoNormal" style="margin-left:35.4pt;text-align:justify;text-indent:35.4pt;">Mas não estava no lugar certo hoje</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-left:35.4pt;text-align:justify;text-indent:35.4pt;">
<p class="MsoNormal" style="margin-left:35.4pt;text-align:justify;text-indent:35.4pt;">Soltou um grito mudo, mas caiu na gargalhada 3 instantes depois. Aquilo era perfeitamente encaixável (haha!) A droga da luz estava apagada e só por isso alguém tinha que colocar a porcaria do anão na calçada em frente a sua casa!</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-left:35.4pt;text-align:justify;text-indent:35.4pt;">Taquicardíaca, ela minguou a risada histérica em um sorriso nervoso. Ainda observava-o. Sabia que o autor daquela bomba psicológica estava à espreita. O anão continuava com o seu plácido sorriso e a feição meio débil! (Mas por que raios isso mudaria!?)</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-left:35.4pt;text-align:justify;text-indent:35.4pt;"><span> </span>Não percebeu que tinha deixado a prova do homem no chão; Recolheu-a e voltou a corrigir.</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-left:35.4pt;text-align:justify;text-indent:35.4pt;"><span> </span>(A cerveja ficou esquecida)</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-left:35.4pt;text-align:justify;text-indent:35.4pt;">
<p class="MsoNormal" style="margin-left:35.4pt;text-align:justify;text-indent:35.4pt;">
<p class="MsoNormal" style="margin-left:35.4pt;text-align:justify;text-indent:35.4pt;">Não, não voltou não.</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-left:35.4pt;text-align:justify;text-indent:35.4pt;">A cabeça completamente direcionada para os garranchos de Fritz, mas sem perceber, seus olhos acabavam indo parar naquela pequena figura. Fitava-o com desconfiança.</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-left:35.4pt;text-align:justify;text-indent:35.4pt;">Algum tempo depois se encontrou em pé. Os arquivos novamente estavam no chão. Ela não poderia saber, mas seu rosto projetava curiosidade através de traços iracundos. Estava prostrada! Não gostara nem um pouco de ser surpreendida a tal maneira.</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-left:35.4pt;text-align:justify;text-indent:35.4pt;">
<p class="MsoNormal" style="margin-left:35.4pt;text-align:justify;text-indent:35.4pt;"><span> </span>- Eu sei que você tem parte da culpa por estar aí.</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-left:35.4pt;text-align:justify;text-indent:35.4pt;">
<p class="MsoNormal" style="margin-left:35.4pt;text-align:justify;text-indent:35.4pt;">Encarou cada pedacinho do seu rosto meio desgastado pelo tempo. Permaneceu um pouco mais no seu nariz avantajadamente batatudo. Aproximou-se do parapeito da varanda.</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-left:35.4pt;text-align:justify;text-indent:35.4pt;">(Artesão infeliz. Pra quê isso…!?)</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-left:35.4pt;text-align:justify;text-indent:35.4pt;">
<p class="MsoNormal" style="margin-left:35.4pt;text-align:justify;text-indent:35.4pt;">A verdade é que o rosto do anão ensaiava um movimento a cada instante. Parecia querer se mexer. E Fátima tinha certeza de que iria.</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-left:35.4pt;text-align:justify;text-indent:35.4pt;">Algo lá dentro parecia não suportar ficar estático! A cada segundo que chegava isso parecia mais natural e a cada segundo que passava isso parecia mais inevitável.</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-left:35.4pt;text-align:justify;text-indent:35.4pt;">
<p class="MsoNormal" style="margin-left:35.4pt;text-align:justify;text-indent:35.4pt;">(Não! Não! Não mesmo! Não me force a entrar em casa! Meu deus que situação estúpida!)</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-left:35.4pt;text-align:justify;text-indent:35.4pt;">
<p class="MsoNormal" style="margin-left:35.4pt;text-align:justify;text-indent:35.4pt;">Conteve-se.</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-left:35.4pt;text-align:justify;text-indent:35.4pt;">
<p class="MsoNormal" style="margin-left:35.4pt;text-align:justify;text-indent:35.4pt;">Mais do que a situação, ela é quem estava sendo idiota. Voltou em passos espasmódicos até a cadeira e sentou-se. Começou a balançar-se imediatamente, com delicadeza. Aceitou que estava tensa demais para terminar a correção da prova de Fritz.</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-left:35.4pt;text-align:justify;text-indent:35.4pt;">Passeou com os olhos pelo ambiente. Evitou a calçada.</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-left:35.4pt;text-align:justify;text-indent:35.4pt;">
<p class="MsoNormal" style="margin-left:35.4pt;text-align:justify;text-indent:35.4pt;">(Estaca-vizinho-breu-breu-parede-breu-breu-vizinho-estaca-vizinho-breu-breu-anão)</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-left:35.4pt;text-align:justify;text-indent:35.4pt;">
<p class="MsoNormal" style="margin-left:35.4pt;text-align:justify;text-indent:35.4pt;">ANÃO DE MERDA!</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-left:35.4pt;text-align:justify;text-indent:35.4pt;">
<p class="MsoNormal" style="margin-left:35.4pt;text-align:justify;text-indent:35.4pt;">Os seus olhos sempre voltavam-se para o anão. Foi neste instante que parou de tentar evitá-lo… Agora encarava-o corajosamente nos olhos (Tremia pelas marginais.)</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-left:35.4pt;text-align:justify;text-indent:35.4pt;">
<p class="MsoNormal" style="margin-left:35.4pt;text-align:justify;text-indent:35.4pt;">(Vai piscar. Aposto que vai piscar).</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-left:35.4pt;text-align:justify;text-indent:35.4pt;">
<p class="MsoNormal" style="margin-left:35.4pt;text-align:justify;text-indent:35.4pt;">Mas não descobriu o que aconteceu. Fechou os olhos com as mãos, nervosa e tremulamente. Balançava-se doentiamente na cadeira.</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-left:35.4pt;text-align:justify;text-indent:35.4pt;">Abria frestas na mão com muita cautela.</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-left:35.4pt;text-align:justify;text-indent:35.4pt;">
<p class="MsoNormal" style="margin-left:35.4pt;text-align:justify;text-indent:35.4pt;">Um oitavo, um quarto, a metade, o olho inteiro via o anão no mesmo lugar, na mesma posição de antes de fechar os olhos.</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-left:35.4pt;text-align:justify;text-indent:35.4pt;">
<p class="MsoNormal" style="margin-left:35.4pt;text-align:justify;text-indent:35.4pt;">O Olho inteiro via como tudo aquilo era besta.</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-left:35.4pt;text-align:justify;text-indent:35.4pt;">
<p class="MsoNormal" style="margin-left:35.4pt;text-align:justify;text-indent:35.4pt;">
<p class="MsoNormal" style="margin-left:35.4pt;text-align:justify;text-indent:35.4pt;">
<p class="MsoNormal" style="margin-left:35.4pt;text-align:justify;text-indent:35.4pt;">
<p class="MsoNormal" style="margin-left:35.4pt;text-align:justify;text-indent:35.4pt;">E sabe o que iria fazer?</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-left:35.4pt;text-align:justify;text-indent:35.4pt;">
<p class="MsoNormal" style="margin-left:35.4pt;text-align:justify;text-indent:35.4pt;">
<p class="MsoNormal" style="margin-left:35.4pt;text-align:justify;text-indent:35.4pt;">
<p class="MsoNormal" style="margin-left:35.4pt;text-align:justify;text-indent:35.4pt;">Iria até a calçada.</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-left:35.4pt;text-align:justify;text-indent:35.4pt;">
<p class="MsoNormal" style="margin-left:35.4pt;text-align:justify;text-indent:35.4pt;">
<p class="MsoNormal" style="margin-left:35.4pt;text-align:justify;text-indent:35.4pt;">Pegaria o infeliz</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-left:35.4pt;text-align:justify;text-indent:35.4pt;">
<p class="MsoNormal" style="margin-left:35.4pt;text-align:justify;text-indent:35.4pt;">O levaria até a árvore</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-left:35.4pt;text-align:justify;text-indent:35.4pt;">E o deixaria lá</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-left:35.4pt;text-align:justify;text-indent:35.4pt;">
<p class="MsoNormal" style="margin-left:35.4pt;text-align:justify;text-indent:35.4pt;">1</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-left:35.4pt;text-align:justify;text-indent:35.4pt;">
<p class="MsoNormal" style="margin-left:35.4pt;text-align:justify;text-indent:35.4pt;">
<p class="MsoNormal" style="margin-left:35.4pt;text-align:justify;text-indent:35.4pt;">2</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-left:35.4pt;text-align:justify;text-indent:35.4pt;">
<p class="MsoNormal" style="margin-left:35.4pt;text-align:justify;text-indent:35.4pt;">
<p class="MsoNormal" style="margin-left:35.4pt;text-align:justify;text-indent:35.4pt;">3</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-left:35.4pt;text-align:justify;text-indent:35.4pt;">
<p class="MsoNormal" style="margin-left:35.4pt;text-align:justify;text-indent:35.4pt;">
<p class="MsoNormal" style="margin-left:35.4pt;text-align:justify;text-indent:35.4pt;">4 passos até a escada.</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-left:35.4pt;text-align:justify;text-indent:35.4pt;">
<p class="MsoNormal" style="margin-left:35.4pt;text-align:justify;text-indent:35.4pt;">
<p class="MsoNormal" style="margin-left:35.4pt;text-align:justify;text-indent:35.4pt;">
<p class="MsoNormal" style="margin-left:35.4pt;text-align:justify;text-indent:35.4pt;">
<p class="MsoNormal" style="margin-left:35.4pt;text-align:justify;text-indent:35.4pt;">
<p class="MsoNormal" style="margin-left:35.4pt;text-align:justify;text-indent:35.4pt;">
<p class="MsoNormal" style="margin-left:35.4pt;text-align:justify;text-indent:35.4pt;"><span style="font-size:10pt;">E ele arredou um passo a frente.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-left:35.4pt;text-align:justify;text-indent:35.4pt;">
<p class="MsoNormal" style="margin-left:35.4pt;text-align:justify;text-indent:35.4pt;">
<p class="MsoNormal" style="margin-left:35.4pt;text-align:justify;text-indent:35.4pt;">Ela perdeu o ar. Suas pernas eram firmes, mas seus joelhos dissolveram-se no medo. Tropeçou naquele maldito degrau de que seu marido tanto reclamava ao chegar em casa às escuras da madrugada. Rastejou até o meio da sala de estar quando conseguiu se levantar e correu o que restava soluçando até o quarto.</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-left:35.4pt;text-align:justify;text-indent:35.4pt;">Trancou-se. Não dormiu tentando captar os ruídos de seu arrastar da calçada até a soleira.</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-left:35.4pt;text-align:justify;text-indent:35.4pt;">
<p class="MsoNormal" style="margin-left:35.4pt;text-align:justify;text-indent:35.4pt;">
<p class="MsoNormal" style="margin-left:35.4pt;text-align:justify;text-indent:35.4pt;">
<p class="MsoNormal" style="margin-left:35.4pt;text-align:justify;text-indent:35.4pt;">Douglas chegou junto com o dia e sua mulher ainda acordada. Os olhos atentos e desconfiados.</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-left:35.4pt;text-align:justify;text-indent:35.4pt;">
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;">Não dormiu aquele dia.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><span> </span>O dia seguinte amanheceu apático e o pequeno homem dava um pouco de cor à praça. Maroto, continuava ao pé da árvore como em todas as outras manhãs.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;">
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><span> </span>De vez em quando, ao crepúsculo pouco iluminado, alguém se sentia vigiado enquanto caminhava perto da praça. Não hesitava em parar e se virar para o anão que postava-se de costas. Só de costas.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><span> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;">
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><span> </span>O Jardineiro cuidava da praça 1 vez por semana ou duas quando em tempos de seca. Cuidava de cada cantinho dos jardins, varria as folhas secas depositadas no chão pelas grandes árvores, adubava os canteiros e regava tudo com, aparentemente, a maior dedicação.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><span> </span>Boas eram as suas mãos que conseguiam fazer direito mesmo ele corria para terminar logo e se ver longe daquela [estátua maldita].</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;">
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><span> </span><span> </span>- Se eu fosse o dono deste lugar não deixaria esse gnomo aí assustando quem passa… Espionando agourento! –</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;">
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><span> </span>Mas a maior parte de quem olhava para ele logo criava empatia com seu bom humor pétreo e deixava o jardineiro falando sozinho.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;">
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><span> </span>Os anos passam; chuva, sol forte e fraco, frios rigorosos e confortáveis e o pequeno homem ainda lá embaixo de sua árvore, envelhecendo à sua maneira. A tristeza invisível tinge sua superfície e só se mostra para os que são levados por sensibilidade. Obrigado a ser feliz pelas mãos de quem o modelou, ele arrisca a sorte. Aposta com a eternidade que tudo é capaz de mudar.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;">
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><span> </span><span style="font-size:10pt;">Mas Fátima Morton passou a não gostar muito da va</span><span style="font-size:10pt;">randa. </span></p>
<img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/bieldeadline.wordpress.com/37/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/bieldeadline.wordpress.com/37/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/bieldeadline.wordpress.com/37/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/bieldeadline.wordpress.com/37/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/bieldeadline.wordpress.com/37/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/bieldeadline.wordpress.com/37/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/bieldeadline.wordpress.com/37/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/bieldeadline.wordpress.com/37/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/bieldeadline.wordpress.com/37/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/bieldeadline.wordpress.com/37/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/bieldeadline.wordpress.com/37/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/bieldeadline.wordpress.com/37/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=bieldeadline.wordpress.com&blog=4092303&post=37&subd=bieldeadline&ref=&feed=1" /></div>]]></content:encoded>
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