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	<title>La Chambre</title>
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	<description>Palavras pararealistas de Gabriel Castilho</description>
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		<title>La Chambre</title>
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		<title>Protegido: (sociopata)</title>
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		<pubDate>Sun, 18 Oct 2009 17:33:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gabriel Castilho Gil</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[Não há resumo por ser um post protegido.<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=bieldeadline.wordpress.com&blog=4092303&post=355&subd=bieldeadline&ref=&feed=1" />]]></description>
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		<title>Água Pesada sobre Solo Áspero</title>
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		<pubDate>Tue, 13 Oct 2009 19:20:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gabriel Castilho Gil</dc:creator>
				<category><![CDATA[Devaneios]]></category>
		<category><![CDATA[Fragmentos]]></category>

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		<description><![CDATA[Eu, ela (seja lá quem fosse) e o nosso Mustangue aterrissamos estrondosamente naquelas águas fluviais.
Permaneci paralisado, intacto pela palpável realidade. O cavalo que deveria existir em movimento foi drenado pela espuma torrencial  e  foi-se. Como não pensei que a velocidade, o pleno equilíbrio imponentemente potente, a fúria dos lençóis de ar deslocados com o corpo, [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=bieldeadline.wordpress.com&blog=4092303&post=347&subd=bieldeadline&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>Eu, ela (seja lá quem fosse) e o nosso Mustangue aterrissamos estrondosamente naquelas águas fluviais.</p>
<p>Permaneci paralisado, intacto pela palpável realidade. O cavalo que deveria existir em movimento foi drenado pela espuma torrencial  e  foi-se. Como não pensei que a velocidade, o pleno equilíbrio imponentemente potente, a fúria dos lençóis de ar deslocados com o corpo, a integridade da moção, tudo aquilo dependia de um solo que de tão firme e seco  que fosse seria quase&#8230; áspero?</p>
<p><em>Começava a distinguir os dois lados do espelho.</em></p>
<p>Encontrei a estagnação. Não pensava em cataratas, fossas profundas ou redemoinhos, tinha tudo aquilo aqui dentro, tensão envasada, litros e litros de desilusões. Lembrei-me das moças ao longo do shopping, lembrei-me <strong>das duas</strong><strong>, Uma </strong>insurgida atrás de vingança e <strong>Ela</strong> passiva no ponto de ônibus, lembrei-me <strong>d&#8217;Eva</strong> e sua gangorra no jardim e lembrei-me daquela dualidade na garupa do mustangue e seu humor pesado.</p>
<p>Ela que se dissolvera  num fluído violáceo a esticar-se brandamente nas águas, com um brilho magmático, me causava nojo e incompreensão ainda que irradiasse magia bela e perigosa. Tal foi o encanto que me causou que a estagnação dissipou-se  levemente, tentei tocar seu líquido e, no esforço:</p>
<p>Subi até a superfície quase sem ar&#8230; Os três peões desprovidos de armas de fogo andavam pelas margens estudando o encontro do rio Piauí com o rio Maranhão.</p>
<p>Havia uma fina coluna de pedra que me levava para longe daquele lugar; minha salvação da violência daquelas águas.</p>
<p>E subi; meu corpo pesado, monolítico&#8230; O filete de pedra me levaria até uma casinha muito simples, antes que o enjôo dilacerante me dominasse. Era tudo muito simples, aqueles que não comem, que não vivem sabores, enchem a pança de antimatéria. E era o que  me locupletava. Estava saturado; precisava de um descanso incalculável para minimamente reagir aos erros dessa era que se encerrava.</p>
<p>Abri a porta e presenciei o único móvel da casa, um sofá com um tamanho pouquinho menor do que as necessidades de meu sofrimento;</p>
<p>Deitei-me e estiquei  meus pés até tocar a eternidade e de uma vez por todas relaxei.</p>
<p>Abri os olhos pela ultima vez e em frente a mim, uma vitrine. Minha vista, cansada demais para reagir, venceu a luz forte e do outro lado da vitrine reconheci o observador.</p>
<p>Talvez quisesse saber qual era o lado de dentro e qual era o lado de fora da vitrine, mas em outra situação. Agora havia perdido a vontade de&#8230; a vontade de continuar sentido vontade de correr atrás de minhas vontades, pronto. Minha mente começou a se embrulhar como meu estômago há centenas de anos luz daqui o fizera, ou melhor, talvez ainda estivesse, mas  não mais sentisse. Creio que o tato foi a primeira coisa que perdi. Meu paladar&#8230; não não, ainda tinha meu paladar, tinha meu olfato e suas lembranças, mas não quis, não consegui mais abrir os olhos, bem talvez não tenha perdido a visão, mas a audição foi a segunda coisa que perdi&#8230;</p>
<p>dormira?</p>
<p>Aí quase quis saber se o que eu sentia era definitivamente um sabor, mas isso já não seria mais possível. A resposta para esse meu próprio devaneio veio de quando lembrei que mal vivi os sabores de minha vida, aí soube que nunca tivera paladar&#8230; ah, mas também foi a ultima coisa que me lembrei, logo depois perdi minha memória e o meu olfato.</p>
<p>Minha visão ja não tinha mais importância.</p>
<p>Aí, acho que teria contemplado a coisa-em-si se tivesse querido, mas não quis; Sem espaço, sem tempo, sem circunstância, sem representação, sem desejo, sem indivíduo e objeto; tornei-me o mundo.</p>
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		<title>Água Pesada (III)</title>
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		<pubDate>Tue, 13 Oct 2009 16:00:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gabriel Castilho Gil</dc:creator>
				<category><![CDATA[Fragmentos]]></category>

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		<description><![CDATA[Enfim, meus caros parceiros, me rendi a esses luxos que vemos por aí..
(fiquei demasiadamente sóbrio para ter meu passado como legítima sombra&#8230;)
A cidade, céus&#8230; feia é só por fora, principalmente essa, mas agora que nado em seu útero, a cada instante me sinto como Hansel e Gretel à primeira vista daquela casinha de guloseimas.
Hoje por [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=bieldeadline.wordpress.com&blog=4092303&post=338&subd=bieldeadline&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>En<strong>fim</strong>, meus caros parceiros, me rendi a esses luxos que vemos por aí..</p>
<p>(fiquei demasiadamente sóbrio para ter meu passado como legítima sombra&#8230;)</p>
<p>A cidade, céus&#8230; feia é só por fora, principalmente essa, mas agora que nado em seu útero, a cada instante me sinto como Hansel e Gretel à primeira vista daquela casinha de guloseimas.</p>
<p>Hoje por exemplo, já me encontro numa saborosa encruzilhada.  hrum.</p>
<p>Tenho no meu bolso 22 moedas de um real e dois desejos para o poço, fundo fundo. Ou vou almoçar, ou vou ao cinema com pipoca.</p>
<p>Como todo bom selvagem, quero os dois e fico no restaurante japonês com a turma para depois correr atrás de alguma bagaceira; poxa vida, tanta coisa bizonha passando por aí.</p>
<p>Mas aí aquela mocinha, ora, ora&#8230;</p>
<p>ócio permeando certas posições da mesa&#8230; comida chegando <strong>vio<em>le</em></strong><em>(n)</em><strong><em>ta</em></strong><em>mente</em> e pares de olhos que  procuram algo mais con<strong>fort</strong>ante para fitar e, bem, mal percebo que o ar ja está cheio de evasivas pouco profundas e inquietação nos ca<strong>belos</strong> e aí&#8230;</p>
<p>ela ja vai ao cinema comigo com a condição d&#8217;eu deixar a bagaceira para outra instância (um presente da cidade, essa terminologia).</p>
<p>E aí vamos, á cavalo, é claro&#8230; Longo caminho e nenhum meio de transporte é bom o bastante para nós dois, de repente estou farto dessas grosserias ordinárias de quatro rodas.Farto!!!!</p>
<p>Meu Mustangue&#8230; Nosso Mustangue&#8230; veloz como o relógio em dias tranquilos.  Infelizmente eu esqueci o dinheiro no bar. 22 notáveis moedas de um real. Mas frear nosso Mustangue seria uma desavença, disparávamos para longe da cidade  (eu seguia as pedras brancas que deixara pelo caminho) como um casal fora-da-lei após  um roubo de trem.</p>
<p>Atravessávamos um terreno que ameaçava se tornar pantanoso, a qualquer instante; um denso cheiro de pólvora movimentando as correntes de ar e o medo de sermos tragados pela fúria de algum sujeito. Pergunto-me se est&#8217;é o filme que estamos vendo, mas me descompasso quando três homens de espingarda se plantam na porcaria da cerca à nossa frente.</p>
<p>- Pedágio&#8230; &#8211; sussuram secos para nós, a uns 150 metros de distância.</p>
<p>- estamos indo para o cinema, não podemos pagar agora.</p>
<p>- Ouço alguns disparos, mas estou em órbita;</p>
<p>Uma gélida sensação na altura dos meus rins acaricia minha desconfiança;</p>
<p>Pulo a cerca onde  se posicionam os três peões e preparo-me para cair naquele rio pantanoso que ameaçava acontecer em nosso caminho a qualquer mísero interante.</p>
<p>Ouça as gargalhadas esqueléticas de doce doce Gretel ou da <strong>con<em>feiti</em></strong><em>ceira</em>, quem faltava nessa estória&#8230;</p>
<p>estou para descobrir, o final do filme sempre chega para aqueles que o assistem</p>
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	</item>
		<item>
		<title>O Topo (e meu céu verde ácido)</title>
		<link>http://bieldeadline.wordpress.com/2009/09/19/o-topo-e-meu-ceu-verde-acido/</link>
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		<pubDate>Sat, 19 Sep 2009 15:02:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gabriel Castilho Gil</dc:creator>
				<category><![CDATA[Devaneios]]></category>

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		<description><![CDATA[Em tinta torno a febre que deita comigo e a escrevo em sonhos que não tive. Ao fluir, morno-sangue, vigoroso das trépidas águas de Golã, costuro meu pranto e me faço monte pela frigidez dos desejos que cobrem minha cabeça e bla bla bla&#8230; até parece que  sinto palavras , reviro-me na cama&#8230;
Ahhhhhhhhhhhhh!!!!!!!! eeeeu só [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=bieldeadline.wordpress.com&blog=4092303&post=325&subd=bieldeadline&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>Em tinta torno a febre que deita comigo e a escrevo em sonhos que não tive. Ao fluir, morno-sangue, vigoroso das trépidas águas de Golã, costuro meu pranto e me faço monte pela frigidez dos desejos que cobrem minha cabeça e bla bla bla&#8230; até parece que  sinto palavras , reviro-me na cama&#8230;</p>
<p>Ahhhhhhhhhhhhh!!!!!!!! eeeeu só olho pr&#8217;esse céu. céu. Não quero falar dessa vez. Mas passa.</p>
<p>Aí eu já almejo transpirar palavras com o calor de minha pele seca por amargos desencontros de sentido, e ando por aí com este gosto horrível na boca olhando para tudo e encontrando, ah&#8230; bem os cacos do meu ser, sabe? é, é&#8230; eles vão é ficando por aí, nas solas dos sapatos de que quem caminha sobre a ponta de meu nariz, bem naquela parte onde não posso conhecer como queria, digo, ver como queria. E essas pessoas que por terem sapatos  esperam andar sobre o tabuleiro da vida e andam&#8230; e ah, você sabe, andam, ora, vão embora, me levam com elas sem me deixarem estar com elas, porque sou, porque sou apenas o topo das colinas de golã</p>
<p>Colinas não seguem estradas.</p>
<p>Colinas inabitáveis quase se amargam em serem estradas.</p>
<p>Mas se você quer ter uma bela vista, quer contemplar o maaaaaraaaaaaaavilhoooosooooooooo  céu ver-de-ácido  que me contorna como belas belas belas pernas pernas, quer sentir o sol causar a falsa  febre da conquista, com aquele  suor ácido ainda por cima, por que não sobe no monte que estou, por não sobe no monte que sou, por que não sobe no meu monte e griiitaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa para ver se você se ouve?</p>
<p>me contorço na cama seca como poeira e&#8230;</p>
<p>desisto!</p>
<p>Afinal, ja estou vendo vocês descerem levando meu eu-pó nas solas de seus sapatos, arrastando a terra, chutando pedrinhazinhas virília a baixo. E vocês vão indo, descendo calmamente como uma mão que me desliza, me causando arrepios que desconheço&#8230;</p>
<p>e desconheço vocês.  mas não agora, assim que já estiverem longe longe longe&#8230;</p>
<p>Ah, e sabe o que eu faço lá pelas 4  e pouquinho da manhã?</p>
<p>Enquanto &#8211; e -  se explodem &#8211; eu não &#8211; em cima  de mim &#8211; quero aguentar mais &#8211; eu EXPLODO!!!!!!!!!</p>
<p>Poderia  vomitar tantas tantas palavras aqui, mas olha, não é que acho que não sinto palavras para dizer, é que não quero  BORRAR A SUA VISTA PANORÂMICA!!!!! NÃO QUERO BORRRAR A SUA VISÃO DO MEU CÉU ESVERDEÁCIDO E ESTRAGAR SEU MERO DELEITE.</p>
<p>Só que explodo e levo frigidez, terra, libido, topo, pernas, céu, pedrinhas, orgasmo, pó&#8230; TUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUDO pelos ares. TUDO! SEM PARAR,  SGRAAAATCHSHE, SEM QUERER PARAR, NÃO PARO, E VRAARPPP</p>
<p>&#8230;</p>
<p>Em tinta torno a febre que deita comigo e a escrevo em sonhos que não tive.</p>
<p>A briga que ocorre no topo dos meus frígidos desejos  é por causa da água que escondo?</p>
<p>Em torno das colinas que sou só se procura o valor do pranto?</p>
<p>Sabe qual é o verdadeiro sonho que nunca tive?</p>
<p>Quero ser aquele broto lá embaixo, onde as coisas brotam.</p>
<p>E ter a contemplação grudada à minha pele&#8230;</p>
<p>aí quando eu fosse grande como a colina, subiriam em mim não para ver o céu verde-ácido, mas para estar nele.</p>
<p>Agora, em minha cama úmida como orvalho, durmo e mais do que ver as coisas, sou as coisas que vejo.</p>
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		<title>Nosso Jardim</title>
		<link>http://bieldeadline.wordpress.com/2009/08/29/nosso-jardim/</link>
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		<pubDate>Sat, 29 Aug 2009 20:18:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gabriel Castilho Gil</dc:creator>
				<category><![CDATA[Acusmas]]></category>

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		<description><![CDATA[Eu. Eu e Eu. Eu e você longe, de vez em quando. Mas jogo o espelho num canto onde não vou reencontrá-lo.
Muito te procuro olhando ao redor e antes fôssemos todas realmente iguais para que pudéssemos brincar de esconde-esconde, mas você, quando se revela, é sempre nítida, um estigma na terra.
Nos encaramos banhadas pelo sol [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=bieldeadline.wordpress.com&blog=4092303&post=314&subd=bieldeadline&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p><strong>Eu. Eu e Eu. Eu e você longe, de vez em quando. Mas jogo o espelho num canto onde não vou reencontrá-lo.</strong></p>
<p>Muito te procuro olhando ao redor e antes fôssemos todas realmente iguais para que pudéssemos brincar de esconde-esconde, mas você, quando se revela, é sempre nítida, um estigma na terra.</p>
<p>Nos encaramos banhadas pelo sol das oito da manhã e ouvimos nosso passado melodioso sendo sussurado por  uma brisa  sem temperatura, que ja é suficiente para  preencher nossa muito pequena monotonia. Enquanto nossa pureza se derrama e flui sobre a terra cor de cobre, todos agravam o silêncio que nunca se interrompe. O silêncio brando e aconchegante.</p>
<p>Aí no instante em que  te observo com encanto, a terra como que se tornando fria e ácida tinge suas faces de escarlate e só eu posso ver. Um arrepio me domina como se a brisa soprasse de baixo e a brisa me leva mais distante, a brisa vira vento. Vira e nós  de um lado a outro, vertiginando nosso mundo, só nosso e pequeno.</p>
<p>Mais e mais forte você vem até mim e me faz tocar o perfume que quase esqueci e que ao primeiro trago faz meu corpo virar espuma. Todas as outras de nós em seus próprios magnetismos nos esquecem e se divertem ao vento&#8230;  Se chocam, deixam toques de várias cores ao chão, liberam a poeira da vida , liberam-na para todo nosso pequeno mundo, mas só nós dois nos entrelaçamos, dançamos a primavera de nossos desejos, você ao som do meu cravo e eu ao som de sua lira, de sua profana arte em metamorfose atemporal. Que de cordas e som mudo aos meus ouvidos vira poesia lírica.</p>
<p>E em meio ao meu desejo pantanoso de me tornar em você, me faço a maior  e  recolho todas as mais belas outras flores desse nosso jardim e as entrego para ti, para que saibas que temos o nosso pequeno mundo inteiro a nosso dispor e que se toda a beleza desse mundo tem um valor é a de decorar os contornos de nosso amor.</p>
<p>Você me descobre, sem piedade me enforca enquanto suas pétalas voltam a ser alvas como conchas, me obriga a te fazer como, em mais tenra essência, sou. Nos unimos embriagadas em meu licor vermelho e me deleito em vê-lo escorrer docemente pelo seu cálice em anestesia.</p>
<p><strong>As nossas </strong><strong>delicadas</strong><strong> mãos  de Afrodite trazem o espelho que isolei dessa história e o coloca em nossa frente para que vejamos&#8230;</strong></p>
<p><strong>e sem dor e medo realizamos que nos tornamos nós mesmas uma na outra e que assim a sintonia que sempre nos conectou agora nos faz um(a)</strong><strong> só. </strong></p>
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		<item>
		<title>Água Pesada (II)</title>
		<link>http://bieldeadline.wordpress.com/2009/08/23/agua-pesada-ii/</link>
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		<pubDate>Sun, 23 Aug 2009 22:20:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gabriel Castilho Gil</dc:creator>
				<category><![CDATA[Devaneios]]></category>
		<category><![CDATA[Fragmentos]]></category>

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		<description><![CDATA[Mais uma vez, a estrada me carregava docemente. Sentia não ter pressa e não ser presa e um absurdo conforto me amaciava por dentro. Morros secos ou com verde raro circundavam meu caminho como grandes ondas de terra fadadas a se chocar que pararam no tempo. Pela primeira vez sentia-me perfeitamente ligado à minha carne, [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=bieldeadline.wordpress.com&blog=4092303&post=301&subd=bieldeadline&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p style="text-align:left;">Mai<strong>s uma</strong> vez, a estrada me carregava<strong> </strong>docemente. Sentia não ter pressa e não ser presa e um ab<strong>surdo</strong> conforto me amaciava por dentro. <strong>Morro</strong>s secos ou com verde r<strong>ar</strong>o circundavam meu caminho como grandes ondas de terra fadadas a se chocar que pararam no tempo. Pela primeira vez sentia-me perfeitamente ligado à minha carne, a meus ossos, era meu próprio sangue jorrando vivacidade sob controle em cada órgão de minha natu<strong>reza</strong>.</p>
<p style="text-align:left;">Mas a estrada, que não precisava ter fim, aca<strong>bar</strong>ia. Pequena para a imensidão de minha mente, mas ainda assim, mais intensa do que a fé que eu tinha em sua e<strong>ternida</strong>de.</p>
<p style="text-align:left;">Ali estava. O fim da estrada. Ela, sentada em um ponto de ônibus aguardando alguem que precisaria conhecê-la para saber até onde poderia percorrê-la, era uma marca viva e sacramente tocável  naquele canto.</p>
<p style="text-align:left;">Ficamos ali por anos sem nos falar. Veículos paravam e seguiam e mesmo que apenas entre olhares, nos conhecíamos. Imperfeitamente nos ignorávamos. Mas pouco a pouco compreendíamos que nós dois apenas existi<strong>ríamos</strong> enquanto  houvesse pulsão para que um percorresse o outro.</p>
<p style="text-align:left;">E então, quando o ônibus francamente chegou eu a acompanhei, sentei-me ao fundo e ela num daqueles assentos mais altos.<strong> </strong>Foi então<strong> </strong>que<strong> </strong>o espectro do ônibus seguiu com ela e eu lá fiquei, parado, perplexo. Quando me toquei que o que ficou para trás era, apenas uma cic<strong>atriz</strong> no tempo, intocável como a luz, me arrependi de nunca ter nada dito a ela. Me arrependi por mais que nunca tivesse sido necessário fazê-lo para que nos entendêssemos.</p>
<p style="text-align:left;">Levantei-me. A sombra do ônibus ja estava certamente a quilômetros dali. Fui até aquela alma para<strong>lisa</strong>da, aquela impressão de uma realidade alocada para outro universo que não o meu e a toquei. Como se os enfiasse em um suco gélido, meus dedos tocaram seu timo sem forma e consistência,<strong> </strong>atravessaram sem esforço seus pulmões e tocaram sem realização seu coração inválido. Seus olhos baços haviam m<strong>ira</strong>do a paisagem do motorista antes de que ela fosse traduzida para um espaço que ainda hoje não entendo.</p>
<p style="text-align:left;">Ao me sentar, o movimento recomeçou.</p>
<p style="text-align:left;">Segui por caminhos estranhíssimos, atravessei desertos de ferrugem, mergulhei em rios de mágoa  temeroso pelas rodas despreparadas que me levavam, perdi a noção de dias e de noites mesmo que não mais houvesse chuva pelas bandas que percorria, dei voltas em torno de minhas próprias preocupações e atrasei o itinerário do irritado motorista  que&#8230; bem, que era o meu incomensurável desejo de tornar s<strong>om</strong>bra e luz uma coisa una.</p>
<p style="text-align:left;">Cansado de tudo que me rodeava, das borboletas de zinco que enfeavam o jardim belo e frio de minhas esperanças, desci e segui até uma casinha esquecida que avistei dez minutos após minha decisão.</p>
<p style="text-align:left;">Lá dentro, como entrei sem escrúpulo algum, havia torpor&#8230; um cheiro vermelho, escaldante. Subi as escadas de madeira envernizada, a saber, bem cuidadas, e ali estava o caldeirão. Fumegava algo que não avistei.</p>
<p style="text-align:left;">Adão e Eva, nus e transtornados pela forma que se viam, mas com um semblante preguiçoso, ali estavam, esparramadas cada um num canto do unico quarto, a cola que os ligava estava relaxada como uma rede de chiclete esticado. Estavam cansados, exalavam um cheiro fosco de realiz<strong>ação</strong>.</p>
<p style="text-align:left;">Achei que tivessem me avistado e quase me entreguei palpável atro<strong>pela</strong>ndo sua falta de atenção. Nada disso. Cada um travestido de um desejo cálido de não estar ali, mas belo desejo, sem mágoa, ódio, arrependimento. Ela era a menina no balanço, que ficava nos fundos da casa na pequena c<strong>lareira</strong>, no bosque das velhas estátuas de seu pai. O verde escuro e claro do sabado de alvorada era frio como o profundo azul que o céu deixava de irradiar naquela noite. Ele tinha a selva em seus olhos. Titãs enigmáticos que se levantavam acinzentando o mundo e dissolvendo o sol na terra. O céu <strong>lar</strong>anja, enevoado e denso era a morada da lentidão dos olhos, do corpo e do pensamento f<strong>lássido</strong>.</p>
<p style="text-align:left;">Ela se levantou, entre os seios, ca<strong>belos</strong> que tinham todas as cores do mundo, luzes espreguiçavam-se de seus olhos e de sua boca nenhuma voz saiu.</p>
<p style="text-align:left;">Ele ouviu  e foi atrás dela e<strong>levando</strong> a gravidade da Terra em seus passo brutos e quase firmes que em sua consistência abaixavam pouco a pouco  o sol no ho<strong>rizo</strong>nte e estagnavam a supremacia de seu desejo mais profano:</p>
<p style="text-align:left;">O Céu laranja l<strong>evitava</strong> lá fora, vi pela janela.</p>
<p style="text-align:left;">Ela se deitou no caldeirão fumegante e ele também. Tudo que senti foi um magnetismo me puxar para junto dos dois e ela, em sua beleza vertiginosa, me viu e me impediu de prosseguir. De seus olhos diamantinos que olhavam em fúria para cima, gigantes de concreto se ergueram, o calor cobriu as depressões verdes e após queimá-las fez com que prédios se espalhassem como ervas daninhas perversas.</p>
<p style="text-align:left;">Reiterou-se a supre<strong>macia</strong> de seu desejo; Saí da casa mentalmente sobrevivo e me pus a continuar pela rodovia que agora atingia como uma flecha o mar de cinzas em que em breve chegaria. Ao meu redor não havia violência, prédios estariam imponentes quando eu não mais estivesse para vê-los, sutileza de minha vontade se encontrava estraçalhada por aí.</p>
<p style="text-align:left;">Embora o céu estivesse fadado a nunca mais ser azul, sabia que a carnificina que fazia diante de  meus olhos se realizava apenas por causa do manto do crepúsculo.</p>
<p style="text-align:left;">Segui até a cidade, se bem me l<strong>embryo</strong>.</p>
<p style="text-align:left;">
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		<title>Metagrafia nº6</title>
		<link>http://bieldeadline.wordpress.com/2009/07/13/metagrafia-n%c2%ba6/</link>
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		<pubDate>Mon, 13 Jul 2009 17:59:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gabriel Castilho Gil</dc:creator>
				<category><![CDATA[Metagrafia]]></category>

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		<description><![CDATA[Tenho reparado que buscar dialogismo no cotidiano é muito, muito recompensador, mas demorei pra conseguir engolir o tamanho dessa ideia.
Minhas últimas férias de inverno como aluno de escola chegaram e me rendi ao desagrado de simplesmente deixar quieto qualquer compromisso com livro didático em prol de manter um diálogo com as outras entidades que me [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=bieldeadline.wordpress.com&blog=4092303&post=297&subd=bieldeadline&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>Tenho reparado que buscar dialogismo no cotidiano é muito, muito recompensador, mas demorei pra conseguir engolir o tamanho dessa ideia.</p>
<p>Minhas últimas férias de inverno como aluno de escola chegaram e me rendi ao desagrado de simplesmente deixar quieto qualquer compromisso com livro didático em prol de manter um diálogo com as outras entidades que me perfazem. Andei lendo sobre Somaterapia e seus mecanismos de identificação de autoritarismo e repressão entre relações de poder e, bem, alguem deve ter pensado muito sobre isso, mas não é incrivel como algumas entidades de nosso próprio ser tendem, quando desimpedidas, a criar  um ar de superioridade sobre as outras? E pior, como não nos compaixonamos com nossa integridade&#8230; Mesmo sabendo que há algo errado em ler por horas, ficar no computador por horas, pensar por horas, se preocupar, se angustiar, sofrer, odiar, amar por dias e dias, se exercitar, dormir, gozar, jogar, suar por horas, dias e semanas inertes.</p>
<p>É engraçado e patético  pensar e dizer isso, mas só posso abstrair que existem ditaduras totalitárias instaurados no meu próprio ser. Enquanto eu não saio pra dar uma corrida em torno da Avenida Bandeirantes aqui de BH para prestar atenção na minha própria respiração e na forma do céu, minha mente escraviza o meu corpo e minhas emoções, os reprime e estagna suas atuações.</p>
<p>Devo priorizar um triálogo e me ajudar a ser livre em mim mesmo, princiaplmente quando almejo isso para o mundo em que vivo.</p>
<p>Sim, tenho certeza que o equilíbrio, quando existe, é sempre dinâmico.</p>
<p>Viajo no final dessa semana, talvez.</p>
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		<item>
		<title>Água Pesada (I)</title>
		<link>http://bieldeadline.wordpress.com/2009/07/05/agua-pesada-i/</link>
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		<pubDate>Sun, 05 Jul 2009 20:08:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gabriel Castilho Gil</dc:creator>
				<category><![CDATA[Fragmentos]]></category>

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		<description><![CDATA[A Terra solta como o ar manchava nossos pés descalços que antes entrelaçados em cadarços deixavam o ônibus em imaculado naturalismo. Poucas gramíneas, alguns arbustos, Árvores que trincavam a superfície vítrea do céu tão tão dinâmico e que de tão firmes e estóicas não deixavam vazar a etérea, a quintessencial substância que muitas respostas dariam [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=bieldeadline.wordpress.com&blog=4092303&post=291&subd=bieldeadline&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p style="text-align:left;">A Terra solta como o ar manchava noss<strong>os</strong> pés descalç<strong>os</strong> que antes entrelaçad<strong>os</strong> em cadarç<strong>os </strong>deixavam o ônibus em imaculado naturalismo. Poucas gramíneas, alguns ar<strong>bustos, </strong>Árvores que trincavam a superfície vítrea do céu tão tão dinâmico e que de tão firmes e estóicas não deixavam vazar a etérea, a quintessencial substância que muitas respostas dariam ao que estava por v<strong>ir.</strong></p>
<p style="text-align:left;">O cheiro da morte envelhecida, poeirenta, suja, seca e esquecida&#8230; Sens<strong>ações</strong> funestas, arre<strong>pios</strong> bem-humorados; As placas de pedra áspera irradiavam aquele pacote de incogniscências em torrentes  de dezenas de milh<strong>ares</strong> milhas por h<strong>ora</strong>. Adentrávamos aquele cemitério esquecido, sem pavores, sem macabridades, mas andávamos com plena desconfiança em nossos próprios sentidos, nossos próprios pensamentos, nossos próp<strong>rios </strong>passos que subiam e desciam morros, desgastavam barrancos de terra cor-de-vinho.</p>
<p style="text-align:left;">No final daquela manhã éramos os próprios cadáveres que habitavam aquele lugar. Cambaleando com sorrisos estúpidos remendados na cara, murmurando enunciações sem sentido vivo,  fuçando as catacumbas dos pro<strong>fetos</strong> de todas as crenças humanas à procura da morte plena e, talvez, também de seus segredos; Só não tinhamos a lividez em nossos rostos porque a terra cor-de-podridão nos dava <strong>tom</strong>.</p>
<p style="text-align:left;">Bem me lembro que, do alto de um ci<strong>pó</strong>, bem equilibrado e quase es<strong>tático</strong>, um senhor de pele vermelha nos gritou com lábios cerrados&#8230; Palavras Caíram perpendiculamente sobre nossos cucurutos como agulhas. Animais de vários tipos e tamanhos escondidos em tocas cavadas sobre a terra foram coagidos a trocar de posições  e um grande alarde se insta<strong>urrou</strong>.</p>
<p style="text-align:left;">- Os corpos dos profetas foram levados daqui!!- Foi o que nos acertou</p>
<p style="text-align:left;">E<strong> Foram.</strong></p>
<p style="text-align:left;">Nossos Pés enlameados subiam vorazmente os degraus do ônibus;  Criamos a lama em meio ao instável temperamento do mundo. Já estávamos a dezenas de milhares de quilômetros dali  quando me lembrei de agra<strong>descer</strong> aos céus (Mas O Grande Céu escorria pela própria superfície sem di<strong>vi</strong>dir conosco suas re<strong>sol</strong>uções) por não ter nos apresentado problemas na maquinaria.  Não pararam. O Sinistro Cobrador, puro como giz, aconteceu no meio da estrada várias vezes, morbidamente parado como ele mesmo. Encolhemo-nos até esquecê-lo.</p>
<p style="text-align:left;">Chegávamos ao corpo de bombeiro a pedido de todos os senhores que queriam apagar o fogo enlameado que borrava a nossa s<strong>alva</strong>ção, fogo conse<strong>quente</strong> de nossas impertinências. Mas meu egoísmo  se ele<strong>voou</strong> como aquilo que não se conhece mas existe no interior das fumarolas. Pararam o para<strong>lele</strong>pipédico veículo que nos conduzia; Ab<strong>riram</strong> as portas e me deixaram ca<strong>ir</strong> diagonalmente  até a casa em que sempre morei, esquecida num passado não muito d<strong>instante</strong>.</p>
<p style="text-align:left;">Não, definitivamente não me lembro quando caí no seio da longa rodovia periférica. Mas certamente poderia ter permanecido a eternidade inteira em órbita sobre aqueles montes de corações de galinha, chocolates prismáticos e enfileirados.</p>
<p style="text-align:left;">Sem rodas, fiz de meus pés m<strong>eu</strong> veículo.</p>
<p><strong><br />
</strong></p>
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		</media:content>
	</item>
		<item>
		<title>Os Olhos nos Vitrais</title>
		<link>http://bieldeadline.wordpress.com/2009/06/27/os-olhos-nos-vitrais/</link>
		<comments>http://bieldeadline.wordpress.com/2009/06/27/os-olhos-nos-vitrais/#comments</comments>
		<pubDate>Sat, 27 Jun 2009 14:19:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gabriel Castilho Gil</dc:creator>
				<category><![CDATA[Acusmas]]></category>
		<category><![CDATA[Contos]]></category>

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		<description><![CDATA[Entrou apressada, ajeitando o manto em torno do pescoço com o balançar de uma mão; Suas sapatilhas ecoavam na nave.
Estava vazia. Ainda bem, pensou;  Diante do imenso crucifixo oxidado  fez o sinal da cruz e ele ficou marcado em sua testa. Confessou 6 atos que não gostaria que ninguém ouvisse e deixou o frescor do [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=bieldeadline.wordpress.com&blog=4092303&post=283&subd=bieldeadline&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>Entrou apressada, ajeitando o manto em torno do pescoço com o balançar de uma mão; Suas sapatilhas ecoavam na nave.</p>
<p>Estava vazia. Ainda bem, pensou;  Diante do imenso crucifixo oxidado  fez o sinal da cruz e ele ficou marcado em sua testa. Confessou 6 atos que não gostaria que ninguém ouvisse e deixou o frescor do alívio massagear seu interior.Abriu seu livro no Evangelho de Mateus e cantou a oração da maneira que gostava de fazer.</p>
<dl>
<dd><em>Pai nosso, que estás nos céus, santificado seja o teu nome</em></dd>
<dd><em>Venha o teu reino, seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu</em></dd>
<dd><em>O pão nosso de cada dia nos dá hoje</em></dd>
<dd><em>E perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores</em></dd>
<dd><em>E não nos induzas à tentação; mas livra-nos do mal</em></dd>
<dd><em>Porque teu é o reino, e o poder, e a glória, para sempre.</em></dd>
<dd><em>Amém.</em></dd>
</dl>
<p>Trovejou.  Um arrepio cálido lhe subiu do ventre;  Sentiu-se pura, serena e calma. Abriu os olhos e apreciou as ondas da abóboda; concentrou-se e rezou mais uma vez.</p>
<p>Começou a chover lá fora e ela, que era preocupada e ansiosa, simplesmente quis deixar tudo que lhe vinha à mente escorrer com a água da chuva. Sentiu o coração bater intensamente, tirou o crucifixo de estanho da bolsa e o beijou.  Estava gelado como o tempo lá fora, mas ali podia entender que o calor desejava  se esconder, esconder para ser procurado por quem realmente o deseja.</p>
<p>E ela o procurou ali mesmo, deixou acontecer o forte magnetismo entre seus lábios e cada uma das extremidades da cruz. Lágrimas fluiram lenta e sensivelmente.</p>
<p>Rezou pela terceira vez.</p>
<p>Os olhos nos grandes vitrais a observavam com suspeita. Não piscavam; estavam severamente atentos à sua presença.</p>
<p>A tempestade atingiu tal violência que ela pensou que a qualquer instante os relâmpagos trincariam o clerestório. Foi aspirada para o próprio corpo, palpitações pontuavam as piscadas selvagens, olhava para todos os lados.</p>
<p>O medo brotou;  sentiu o sussuro do vento tentando se aproximar, ouviu o bater das asas das gárgulas, sentinelas do lá-fora.  Sentiu um cheiro forte de enxofre; Quis fechar os olhos, quis muito&#8230; Conseguiu. Suas órbitas doíam, mas acreditou que pudessem se acalmar, acreditou que seu coração pudesse voltar a bater com delicadeza. As luzes da igreja foram se apagando&#8230; Aos poucos o tom amarelado, cavernoso, abafado e sóbrio da Igreja foi se apagando, migrando para apenas um ponto. Rezou novamente.</p>
<p>Não havia mais cruz, não havia altar,  retábulo, coluna, ou padre. Fora tudo consumido pelo breu. A única luz ali, pulsante como a de uma vela, esférica e contida era a da Mulher que chorava e orava com Cristo sofrendo, debatendo-se em sua mão esquerda.</p>
<p>Mas a Rosácea no centro superior do abside  e os grandes vitrais laterais também brilhavam.</p>
<p>Os olhos nos vitrais, atentos a todos os movimentos da humanidade, a todos os seus pensamentos, ilusões, angústias e sensações, estavam ali, firmemente presos à figura da moça, cautelosos como águias, prontos para fisgar  deslizes, imprudências e desvirtudes. Estufados como se não houvesse órbitas; aqueles eram os olhos de Júpiter e faziam de seus filhos sua longa órbita. Eletrocutando as bordas do livre caminho, despejando Touros furiosos sobre o livre caminho, mas, ainda assim&#8230; Concedendo terra fértil para que imponentes carvalhos cresçam nas almas de seus filhos, em direção ao céu, apontando para seu firme coração.</p>
<p>Fracamente murmurava as palavras. As palavras poderiam se amontoar no chão, formar picos intermináveis, cumes inalcançáveis pelo homem comum, montanhas sólidas e sem vida. Mas as palavras eram banhadas no místico óleo de seu próprio sentimento, no calor que, antes de alcançar, há muito já estava em torno de si, cavando as terras do inverno de seu ser&#8230; As palavras percorriam o ar como pássaros em êxtase,   rodopiavam vorazmente como nebulosas sem cor e brilho.</p>
<p>(Rezou a ultima vez)</p>
<p>Essas  palavras são as correntes que aprisionam divindades, que estraçalham sua quintessência e confinam seus pedaços em folhas de papel, quadros e estátuas. São isolantes contra os relâmpagos da criação, são amaciantes para a fúria, são encantamentos para se manter a tranquilidade. São os lapsos da onisciência, da onipresença, são a mortalidade e a desvirtude divina.</p>
<p>Ela agora sentia-se intocável pelo medo. Terminara sua missão, mergulhara na gênese e emergira no apocalipse da história de seu dia.</p>
<p>Levantou-se  e caminhou levemente até o portal.  A impressão da cruz ainda estava tatuada em sua testa.</p>
<p>A Chuva passara.</p>
<p><strong>Aquilo que criou o homem e tudo que a este está ligado não criou a Fé</strong>. <strong>A Fé foi o livre caminho que o homem encontrou de domesticar Aquilo que o criou.</strong></p>
<p>Antes que ela terminasse a ultima oração, os elétricos e atentos olhos nos vitrais,  serena e resolutamente se cerraram .</p>
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		<title>Taxidermia</title>
		<link>http://bieldeadline.wordpress.com/2009/06/14/taxidermia/</link>
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		<pubDate>Sun, 14 Jun 2009 23:48:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gabriel Castilho Gil</dc:creator>
				<category><![CDATA[Contos]]></category>

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		<description><![CDATA[Hanna, o que você acha d&#8217;eu, nessa minha pele insossa, me apresentar para você esta noite&#8230;?
Posso lhe contar algumas histórias lúgubres, algo do conhecimento profano que não se ouve todo dia ou mesmo toda noite, alguma sujeira obscura do mundo, algo do bizarro, do vertiginoso campo da não-ciência humana.
Ah!
Mas talvez, minha cara Hanna,
talvez você queira [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=bieldeadline.wordpress.com&blog=4092303&post=271&subd=bieldeadline&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>Hanna, o que você acha d&#8217;eu, nessa minha pele insossa, me apresentar para você esta noite&#8230;?</p>
<p>Posso lhe contar algumas histórias lúgubres, algo do conhecimento profano que não se ouve todo dia ou mesmo toda noite, alguma sujeira obscura do mundo, algo do bizarro, do vertiginoso campo da não-ciência humana.</p>
<p>Ah!</p>
<p>Mas talvez, minha cara Hanna,</p>
<p>talvez você queira ouvir algo que ja foi dito, talvez queira que eu derrame um vinho de Baudelaire nessa seda alva que te acaba, ou talvez queira sentir um sereno arrepio na nuca enquanto te sussurro Poe.</p>
<p>Talvez queira se afogar num rio de amônia para sentir o gélido hálito de Lovecraft te trazer de volta a uma semi-vida.  Talvez queira dar as mãos a King e se prender numa esfera de vidro temperado só para trincá-la com o desespero de seus gritos&#8230;</p>
<p>Talvez queira seu corpo dissecado pelo bisturi do medo que Cook teria o prazer de  incidir cuidadosamente sobre a pele de sua lucidez&#8230; Haha&#8230; Quem sabe não quer seu nome num livro de sangue escrito por Barker?</p>
<p>Oh, querida, mas que indelicadeza minha&#8230;</p>
<p>Ja dizia uma velha voz que às vezes o que se diz nada importa diante do meio com que se diz&#8230;.</p>
<p>Então o que acha d&#8217;eu me vestir com uma pele de gato preto e te surpreender na esquina de um corredor antes de infernizar seu sono?</p>
<p>Ou talvez eu devesse me vestir com a pele de um leão e rasgar sua tranquilidade com minhas presas sujas&#8230;</p>
<p>Se eu fosse um cauteloso lobo e, caminhando através da  minha fantasmagórica presença, abocanhasse sua falta de cuidado&#8230; o que acharia?</p>
<p>Eu também poderia ter a discreta penugem de uma  coruja e lhe causar um arrepio na calada da noite. Poderia ser um víbora e fazer suas esperanças contorcerem-se, subjugadas pela minha toxina&#8230;</p>
<p>Poderia ter o corpo de um&#8217; A Coisa e tornar-me o ceifador de seus sonhos, poderia ser o próprio Cthullu e dissolver as barreiras que te separam do desconhecido.  Poderia ser a Morte Rubra e contaminar suas fantasias as tornando pestilentas úlceras emocionais&#8230;</p>
<p>Ou então&#8230; Minha linda&#8230;</p>
<p>Você pode querer que eu costure pele humana ao meu corpo, ligue veia à veia, nervo à nervo e venha travestido de mim mesmo lhe contar uma macabra história de minha autoria&#8230;</p>
<p style="text-align:center;">Pois, como humanos, somos inventores de todos os pavores que assolam esse e todos os outros mundos que criamos.</p>
<p style="text-align:center;">
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